Processo de impeachment

'Temer, quer ser presidente? Então dispute uma eleição', diz Lula no ABC

Do UOL, em São Paulo e em São Bernardo

"Temer, você quer ser presidente? Então disputa eleição, meu filho, vai pedir voto." O recado ao vice-presidente da República foi dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite desta segunda-feira (4) em São Bernardo do Campo (ABC Paulista), em ato de apoio à presidente Dilma Rousseff promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Em um discurso de 35 minutos, Lula disse que há um golpe em curso contra uma presidente que "não cometeu crime" e que a oposição quer ganhar na marra depois de ter perdido nas urnas. "Não tenho nada contra o companheiro Temer. Eu diria apenas a ele o seguinte: quer ser presidente? Então disputa eleição."

O evento foi realizado em uma rua na frente do sindicato, em São Bernardo, e reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Irônico e de bom humor, Lula relembrou o passado de metalúrgico e listou uma série de feitos que teriam beneficiado os trabalhadores em seus dois mandatos como presidente da República (2003-2010). 

Em atmosfera de comício petista, no entanto, foi Lula quem tratou de amenizar o clima com palavras de respeito ao processo político e também às questões judiciárias, em especial às decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).

Antes dele, Gilmar Mauro, dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) , Wagner Freitas, presidente da CUT, e Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo (PT), elevaram o tom em discursos inflamados e agressivos contra o que chamaram de "golpe das elites" e dos "derrotados nas eleições passadas", e convocaram os militantes e apoiadores do governo a ir às ruas para protestar. "Se o impeachment passar, o [Michel] Temer não terá um dia de sossego", afirmou Mauro.

"Quero ajudar o governo Dilma, mas para isso preciso de autorização da Corte Suprema. Quando eu for liberado, farei o que estiver ao meu alcance para superarmos os problemas", afirmou Lula. "O Brasil tem hoje 31 anos de regime democrático, o maior período de democracia do Brasil desde 1500. Não podemos deixar que a democracia sofra com o golpe e vamos lutar por ela, como sempre fizemos."

Mantendo um tom contemporizador, mas sem deixar de criticar a oposição, o ex-presidente reclamou da falta de base para qualquer ação de impeachment contra Dilma. No entanto, sobrou crítica também para a presidente.

"Vou para o governo para ajudar a consertar a política econômica. Temos de voltar a crescer, a gerar emprego e renda. E também dizem que no governo há pouca disposição para conversa. Se for assim, então vou encher o saco de todo mundo de tanto que vou falar", disse Lula. 

O UOL não conseguiu contato com o vice-presidente Michel Temer na noite desta segunda-feira (4). No último sábado (2), Temer respondeu a uma colocação de Lula, feita em discurso realizado em Fortaleza (CE), de que um golpe estava em curso.

O ex-presidente disse que Temer, por ser um advogado constitucionalista e professor de direito, sabia que estava ocorrendo o golpe. A resposta do vice, por meio de nota, ressaltou que, "justamente por ser um constitucionalista é que sabia que não há golpe em curso no Brasil.

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