Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Após Temer nomear secretária antiaborto, Dilma diz que Estado deve cumprir lei

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    Dilma e Eleonora Menicucci falaram com internautas

    Dilma e Eleonora Menicucci falaram com internautas

Após o presidente interino, Michel Temer (PMDB), nomear como secretária nacional de políticas para as mulheres a ex-deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), que já se posicionou contra o aborto em casos de estupro, a presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (1) que o papel do agente público é "cumprir a lei".

"A secretária provisória interina pode ter opinião, é direito dela. Mas, diante da lei, ou seja, enquanto a lei vigorar, essa posição é irrelevante, porque ela é obrigada como agente público a cumprir a lei", disse ao citar os três casos em que o Código Penal prevê a prática. Dilma, no entanto, evitou se posicionar sobre o assunto.

A presidente afastada falou sobre o assunto durante uma conversa com internautas na sua página no Facebook. Dilma estava ao lado da ex-secretária de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci --ela tem usado as redes sociais para rebater as políticas de Temer e o tema de hoje foi políticas para mulheres e combate à violência contra a mulher.

Dilma também fez críticas a composição do primeiro escalão do governo provisório, que definiu como "chocante". "Sem mulheres, sem negros, sem jovens. Homens, velhos, ricos e brancos. Conseguiram a façanha de ser o primeiro governo desde a ditadura militar a não ter nenhuma mulher à frente de ministérios", afirmou.

Segundo ela, o governo interino tem demonstrado "absoluta insensibilidade com a violência que recai contra as mulheres e todas as questões relativas a perspectiva de gênero".

Dilma disse ainda que a discriminação e violência contra as mulheres, incluindo as "manifestações machistas e preconceituosas que surgiram durante o processo de impeachment", mostram como muitos setores da sociedade ainda são misóginos.

Ela lembrou a retirada pelo Congresso da perspectiva de gênero do Plano Nacional de Educação, em fevereiro, e defendeu o protagonismo feminino. "Por que grave? Porque a perspectiva de gênero coloca a mulher como protagonista, no mesmo patamar com os homens e afirma: "diferentes, porém não desiguais"!".

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