Governo não pode ser pautado por possível denúncia da PGR, diz aliado de Temer

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

    16.abr.2017 - Presidente da comissão que discute a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Carlos Marun (PMDB-MS), chega ao Palácio da Alvorada, para reunião com o presidente Michel Temer

    16.abr.2017 - Presidente da comissão que discute a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Carlos Marun (PMDB-MS), chega ao Palácio da Alvorada, para reunião com o presidente Michel Temer

O vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Carlos Marun (MS), afirmou nesta quarta-feira (14) que a pauta do governo não pode se basear na expectativa da possível denúncia contra o presidente da República, Michel Temer, pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que pode acontecer nas próximas semanas.

"Em chegando a denúncia, obviamente, vamos voltar nossas atenções para rapidamente recusá-la. Mas o que não podemos é ficar esperando porque senão haveria uma inversão inclusive de ordem das coisas. Ou seja, o Parlamento pautado por um eventual desejo da PGR de denunciar o presidente. A situação com a qual não podemos nos conformar", declarou.

O deputado defende que o governo precisa retomar a articulação política voltada às reformas, especialmente a da Previdência. Segundo ele, antes da eclosão do que chamou de "pseudocrise", derivada há quase um mês com a delação de executivos da JBS, o governo contabilizava entre 260 e 270 votos a favor da reforma previdenciária.

Na avaliação de Marun, porém, a notícia da possível denúncia fez com que o Planalto perdesse tempo para assegurar as propostas no Congresso, apesar de não ter perdido, necessariamente, votos.

"Ainda temos aqueles votos. O que nós tínhamos naquele momento era um ambiente favorável, uma onda positiva, perdemos essa onda, perdemos tempo. Temos condições agora de fazer com que essa onda positiva volte. Essa deve ser a pauta do governo nos próximos dias", defendeu.

Para Marun, a discussão de quem deve ser o relator da possível denúncia da PGR na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), pela qual tem de passar na Câmara, também deve ficar fora da lista de prioridades.

Questionado sobre a fidelidade do PSDB, que nesta segunda-feira (12) decidiu permanecer na base aliada, Marun afirmou que acredita ter "quase 100%" dos votos dos tucanos, porque os tucanos estariam mais comprometidos com as reformas do que com o governo Temer.

A proposta de não paralisar o Congresso, feita de Marun junto a integrantes da bancada do PMDB na Câmara, foi levada ao presidente Michel Temer nesta quarta em encontro no Palácio do Planalto.

O peemedebista voltou a ressaltar que a denúncia será recusada no plenário da Câmara. De acordo com ele, embora tenha de ter respeito pela eventual denúncia da PGR, as provas são "frágeis", as bases, "pífias", e as circunstâncias, "controversas". "Não tem a mínima chance de prosperar", falou.

O governo corre para assegurar os votos necessários para as reformas visto que o Congresso entra em recesso parlamentar em 17 de julho, daqui a um mês. Até lá, segundo assessores do Planalto ouvidos pelo UOL, outro fator que deve atrapalhar o governo são as festas juninas. Normalmente, nessa época do ano, os deputados vão às bases eleitorais para se promover nos eventos.

Câmara precisa aprovar denúncia para o presidente ser afastado? Entenda

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