Haddad diz que inquérito em que é acusado de caixa 2 é "amador" e sem provas

Bernardo Barbosa e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Fernando Haddad (PT) disse nesta quarta-feira (17) que o inquérito da Polícia Federal no qual foi indiciado por falsidade ideológica eleitoral (o chamado caixa dois) é "amador" e sem provas.

"Acho o inquérito realmente muito frágil. Um trabalho, assim, muito amador", afirmou Haddad em entrevista ao UOL.

O inquérito foi aberto em 2015 após a delação de Ricardo Pessoa, ex-presidente da construtora UTC. Ele disse ter recebido um pedido de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para pagar uma dívida da campanha de Haddad em 2012 com uma gráfica.

De acordo com a PF, a gráfica, pertencente ao ex-deputado estadual petista Francisco Carlos de Souza, recebeu R$ 2,6 milhões em propina da Petrobras, por meio da UTC, para o pagamento da dívida.

Segundo Haddad, em fevereiro de 2013, a UTC teve sua única obra em São Paulo suspensa, que era o túnel da avenida Roberto Marinho, na zona sul paulistana.

"Muito estranho que, um mês depois, esse mesmo empresário que teve seu interesse contrariado tenha feito um pagamento de dívida de campanha", disse. 

Ainda de acordo com Haddad, o delegado responsável pelo inquérito, João Luiz de Moraes Rosa, "acrescentou no inquérito provas falsas".

"Ele pegou todas as despesas da pré-campanha e considerou que eu deveria ter informado o tribunal eleitoral. Mas se são despesas de pré-campanha, ele tinha que cobrar o diretório municipal. E o diretório municipal tem nota fiscal e comprovante de depósito do pagamento dessas despesas", declarou o ex-prefeito.

Haddad disse confiar que o inquérito vai "ruir". "O problema é que nós temos que encontrar alguém competente e honesto intelectualmente para pôr fim a isso. Mas eu tenho confiança de que em algum momento isso vai acontecer. "

Em nota sobre as declarações do ex-prefeito, a Polícia Federal disse que o trabalho da corporação "é técnico, calcado em provas", e que "cabe à Justiça avaliar as imputações contidas nos inquéritos."

Simon Plestenjak/UOL
O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Fernando Haddad (PT)

"Açodamento em criminalizar"

Haddad assumiu, em dezembro do ano passado, a coordenação do programa de governo da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o partido, o indiciamento do ex-prefeito foi um "factoide" que mostra a "partidarização de setores do sistema policial e judicial, que abusam da autoridade para promover perseguição política".

O PT também associou a data do indiciamento, anunciado na segunda-feira (15), com o fato de que Lula será julgado em segunda instância no chamado processo do tríplex, da Operação Lava Jato, na próxima quarta-feira (24).

Questionado se havia uma perseguição de setores da PF, do Ministério Público e do Judiciário contra o PT, Haddad respondeu que existe um "certo açodamento em criminalizar". Para o petista, é preciso defender "quem é sério".

Você está lidando com a honra das pessoas, você deve ter cuidado. Eu sou professor universitário. Eu dependo de salário para pagar minhas contas.

"Outro dia, saí em defesa do [Geraldo] Alckmin [governador de São Paulo e do PSDB]. Não foi uma vez, não. Eu saí em defesa do Alckmin porque um sujeito de quinta categoria acusou uma pessoa... Eu sou adversário político do Alckmin, não gosto do governo dele. Mas isso não significa que eu não goste dele como pessoa", afirmou o ex-prefeito.

Haddad disse não ser contra investigações e que "é de lei" ser investigado na vida pública. 

"Tem que ser até naturalizado isso. O que o indiciamento significa? Que eu estou sendo investigado. Ótimo, não pode reclamar disso. Agora, eu reclamo quando alguém quer forçar uma prova. Aí não dá", afirmou.

PF indicia Haddad por caixa 2

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