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Com Moro ovacionado, Bolsonaro nomeia 21 ministros; veja quem é quem

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

2019-01-01T18:40:11

2019-01-01T22:48:51

01/01/2019 18h40Atualizada em 01/01/2019 22h48

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou, na noite desta terça-feira (1º), a nomeação de 21 dos seus 22 ministros. Ele usou uma caneta esferográfica simples para assinar os documentos.

Os novos ministros assumirão suas pastas nesta quarta-feira (2), quando serão realizadas as cerimônias de transmissão de cargo.

Seguindo o protocolo, o ex-juiz federal Sergio Moro foi o primeiro ministro a ser nomeado nesta terça e o mais aplaudido pelos presentes.

Moro foi o responsável pelos processos da Operação Lava Jato ao longo de quatro anos e, entre suas ações, condenou e prendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-juiz federal vai chefiar a partir desta quarta o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A pasta, considerada um "superministério" por Bolsonaro, reúne sob responsabilidade de Moro órgãos como a Polícia Federal e parte do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), até então subordinado ao ministério da Fazenda.

O nome de Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL e braço-direito de Bolsonaro durante a campanha eleitoral, também foi bastante celebrado pelos presentes. Ele foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Marcos Pontes, nomeado ministro da Ciência e Tecnologia, o general Augusto Heleno, futuro chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Damares Alves, que comandará o ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, também estiveram entre os mais aplaudidos.

O novo governo terá, ao todo, 22 ministros. Uma mensagem de indicação de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central, que tem status de ministério, também foi assinada por Bolsonaro nesta noite. O nome dele, no entanto, ainda precisa ser aprovado pelo Congresso.

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Veja quem é quem na foto oficial:

1- Osmar Terra: Ministério da Cidadania
Ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Temer, Osmar Terra assume o Ministério da Cidadania, que vai fundir as atribuições dos ministérios do Esporte, da Cultura, além da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), vinculada atualmente ao Ministério da Justiça. A pasta será responsável por programas como o Bolsa Família. Terra é uma indicação de diversas frentes parlamentares que atuam no Congresso Nacional, como a da assistência social, de pessoas com deficiência, idosos e doenças raras.

2- Tereza Cristina: Ministério da Agricultura
Deputada federal pelo DEM do Mato Grosso do Sul, a engenheira agrônoma e empresária do agronegócios Tereza Cristina é a ministra da Agricultura. Ela é presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) e tem uma longa trajetória no setor. Ela foi secretária de Desenvolvimento Agrário da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo de Mato Grosso do Sul durante o governo de André Puccinelli (MDB). Neste ano, Tereza Cristina foi uma das lideranças que defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6.299, que flexibiliza as regras para fiscalização e aplicação de agrotóxicos no país.

3- Paulo Guedes: Ministério da Economia
O economista Paulo Guedes, que acompanhou Bolsonaro durante a campanha, ocupará o "superministério" da Economia (unindo Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio). Ele será responsável pelas principais medidas do governo, como corte de gastos públicos. Guedes tem 69 anos, é formado em economia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e com mestrado pela Universidade de Chicago. É conhecido no meio acadêmico, tendo lecionado na PUC-Rio e na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi um dos fundadores, em 1983, do Banco Pactual. Ajudou a fundar o Instituto Millenium, um centro de pensamento econômico, e também foi sócio-fundador do grupo financeiro BR Investimentos, que se tornaria parte da Bozano Investimento.

4- general Fernando Azevedo e Silva: Ministério da Defesa
O general Fernando Azevedo e Silva é militar da reserva e atuou como assessor do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli. Azevedo e Silva foi chefe do Estado Maior do Exército e comandante da Brigada Paraquedista antes de ir para a reserva. Natural do Rio de Janeiro, Azevedo e Silva foi declarado aspirante a oficial da Arma de Infantaria, em 14 de dezembro de 1976. Foi comandante da Brigada de Infantaria Paraquedista (de 2007 a 2009); comandante do Centro de Capacitação Física do Exército (2009 a 2011); diretor do Departamento de Desporto Militar e presidente da Comissão Desportiva Militar do Brasil do Ministério da Defesa (2012). Foi presidente da Autoridade Olímpica (de 2013 a 2015) e comandante militar do Leste, no Rio de Janeiro, em 2016. 

5- Onyx Lorenzoni: Casa Civil
O deputado federal Onyx Dornelles Lorenzoni (DEM-RS) será responsável por acompanhar, de forma integrada, as principais políticas públicas dos demais ministérios, coordenar os balanços de ações governamentais, publicar nomeações e exonerações, além de auxiliar na tomada de decisões do chefe do Executivo. Antes da posse, Onyx coordenou a equipe de transição de governo.

6- Jair Bolsonaro: Presidente da República

7- general da reserva do Exército Hamilton Mourão: vice-presidente

8- Sergio Moro: Ministério da Justiça e da Segurança Pública
O juiz, que era responsável pela Operação Lava Jato, assume o Ministério da Justiça (fusão com a Secretaria de Segurança Pública e Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf). Moro assumiu, há mais de quatro anos, a condução da Operação Lava Jato, apontada pelo Ministério Público Federal como o maior escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil. Decisões do juiz levaram à prisão, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de empresários e diretores de grandes corporações brasileiras, como a Petrobras e a Odebrecht, políticos e parlamentares. Moro é natural de Maringá (PR), formou-se pela Universidade Estadual de Maringá, com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Paraná. Para ingressar no governo Bolsonaro, Moro deixou para trás 22 anos de magistratura.

9- Ernesto Araújo: Ministério das Relações Exteriores
Diplomata há 29 anos, Ernesto Fraga Araújo, era diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty antes de assumir como chanceler. O diplomata de 51 anos nasceu em Porto Alegre e é formado em Letras. Mais recentemente, o diplomata serviu na Alemanha, no Canadá e nos Estados Unidos. Atuou como subchefe de gabinete do então chanceler Mauro Vieira, de 2015 a 2016. 

10- Tarcísio Gomes de Freitas - Ministério da Infraestrutura
Tarcísio Gomes de Freitas assume o Ministério da Infraestrutura, que vai abranger os setores de transporte aéreo, terrestre e aquaviário. Ele foi nomeado diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura Transporte (DNIT) em 2011. Gomes de Freitas iniciou a carreira no Exército, mas acabou ingressando, por concurso, no quadro de auditores da Controladoria-Geral da União (CGU). É formado em Engenharia Civil pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e atuou como engenheiro da Companhia de Engenharia Brasileira na Missão de Paz no Haiti.

11- Ricardo Vélez Rodríguez: Ministério da Educação
Filósofo é professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, Ricardo Vélez Rodríguez assume o Ministério da Educação. Ricardo Vélez Rodríguez nasceu em Bogotá, tem 75 anos, e graduou-se em Filosofia e Teologia. Veio para o Brasil fazer pós-graduação nos anos 1970, sempre na área de Filosofia, obtendo o título de mestre e depois de doutor por universidades do Rio de Janeiro. Ricardo Vélez Rodríguez é autor de diversos livros, tendo dedicado sua carreira à docência universitária e à pesquisa. Chegou a ser Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade de Medellín, entre 1975 e 1978, quando retornou brevemente à Colômbia. Desde 1979, fixou residência no Brasil e deu aulas em universidades do Rio de Janeiro, Londrina e Juiz de Fora, tendo participado da criação de cursos de pós-graduação em Pensamento Político Brasileiro.

12- Luiz Henrique Mandetta: Ministério da Saúde
Ortopedista pediátrico, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), de 53 anos, assume o Ministério da Saúde a partir de janeiro de 2019. Formado pela Universidade Gama Filho (UGF) com especialização na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e na Fellow da Emory University, em Atlanta (EUA), Mandetta iniciou a vida pública como secretário de Saúde do município de Campo Grande (MS) em 2005. Foi eleito deputado federal em 2010 e em 2014. No ano passado, não disputou as eleições. 

13- André Luiz de Almeida Mendonça: Advocacia-Geral da União
Advogado da União desde 2000 e com pós-graduação em Governança Global, André Luiz de Almeida Mendonça assume a Advocacia-Geral da União. Com pós-graduação em Governança Global, Mendonça é advogado da União desde 2000 e foi procurador seccional da União em Londrina. Ele também coordenou a área disciplinar da Corregedoria da AGU.

14- general Carlos Alberto Santos Cruz: Secretaria de Governo
O general-de-divisão é o secretário de governo. O órgão tem status de ministério. A principal missão de Cruz será a articulação com o Congresso Nacional e com partidos políticos e o diálogo com estados e municípios. Ele ocupou a Secretaria de Segurança Pública durante o governo do presidente Michel Temer (MDB) entre 2017 e 2018. Nascido em Rio Grande (RS), em junho de 1952, o general formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Resende/ RJ), comandou as tropas da ONU na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti entre 2007 e 2009. Cruz também fez parte do grupo de conselheiros da ONU para a revisão do reembolso aos países contribuintes de tropas em missões de paz. Em 2012, assumiu a chefia de assuntos militares da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. Em 2013, foi comandante das tropas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (Monusco).

15- Damares Alves: Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos
A advogada Damares Alves assume o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Assessora do senador Magno Malta (PR-ES), comanda a pasta criada pelo governo Bolsonaro. O novo ministério também vai agregar a Fundação Nacional do Índio (Funai). Ela tem o apoio de setores evangélicos e terá como prioridade políticas públicas para mulheres.

16- Gustavo Canuto: Ministério do Desenvolvimento Regional
Atual secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Gustavo Henrique Rigodanzo Canuto assume o Ministério do Desenvolvimento Regional. A pasta deve agregar as atuais atribuições dos ministérios da Integração Nacional e das Cidades, além de assumir programas importantes como Minha Casa Minha Vida, de habitação, e ações relacionadas a obras contra a seca e infraestrutura hídrica. Natural de Paranavaí (PR) Canuto é servidor efetivo do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, integrante da carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. É graduado em Engenharia de Computação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Também já trabalhou em outros órgãos federais, como Secretarias de Aviação Civil, Secretaria Geral e na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

17- Ricardo Salles: Ministério do Meio Ambiente
Advogado e administrador, Ricardo de Aquino Salles foi secretário particular de Alckmin entre 2013 e 2014 e secretário de Meio Ambiente de São Paulo de 2016 a 2017. Em 2006, participou da fundação do Movimento Endireita Brasil (MEB), juntamente com quatro amigos. A entidade ficou conhecida por criar o Dia da Liberdade de Impostos em São Paulo, em 2010, evento que ocorre no mês de maio. É formado em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cursou pós-graduação nas universidades de Coimbra e de Lisboa, além de ter especialização em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas. 

18- almirante Bento Costa Lima de Albuquerque: Ministério de Minas e Energia
O almirante-de-esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior assume o Ministério de Minas e Energia. Ele estava atuando como diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha. Nascido no Rio de Janeiro, Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior começou a carreira na Marinha em 1973. Foi comandante em chefe da Esquadra, chefe de gabinete do Comando da Marinha e comandante da Força de Submarinos Brasileira. No exterior, o almirante atuou como observador militar das forças de paz das Nações Unidas em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina.

19- Marcos Pontes: Ministério da Ciência e Tecnologia
Astronauta próximo a Bolsonaro, Marcos Pontes fica à frente do Ministério de Ciência e Tecnologia. Oficial da reserva, ficou conhecido por ter sido o primeiro astronauta brasileiro, enviado para o espaço, em 2006, em uma parceria do governo brasileiro com a Nasa, a agência espacial norte-americana.

20- Marcelo Álvaro Antônio: Ministério do Turismo
O deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL) é o ministro do Turismo. Ele está no segundo mandato e foi o deputado mais votado de Minas Gerais nas últimas eleições, com mais de 230 mil votos. Integra a frente parlamentar evangélica no Congresso.

21- Wagner de Campos Rosário: Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União
Servidor de carreira e ex-capitão do Exército, Wagner de Campos Rosário continua no cargo de ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), que ocupa desde maio de 2017. Natural de Juiz de Fora (MG), Wagner Rosário tem 43 anos e é auditor Federal de Finanças e Controle desde 2009. Graduado em Ciências Militares pela Academia das Agulhas Negras e mestre em Combate à Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, também já atuou como Oficial do Exército. Rosário é o primeiro servidor de carreira da CGU a assumir o cargo de secretário-executivo e ministro da pasta.

22- Gustavo Bebianno: Secretaria-Geral da Presidência da República
O advogado Gustavo Bebianno é o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Presidente do PSL durante a campanha eleitoral, Bebianno terá como principal atividade a modernização e a desburocratização do Estado e fará do núcleo mais próximo do presidente.

23- general Augusto Heleno: Gabinete de Segurança Institucional
Oficial da reserva, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira assumirá o (GSI) Gabinete de Segurança Institucional. Augusto Heleno tem 71 anos, foi comandante das tropas da Missão das Nações Unidas no Haiti de 2004 a 2005. Entre 2007 e 2009, o general exerceu a função de Comandante Militar da Amazônia. De 2011 a 2017, atuou no Comitê Olímpico do Brasil (COB). 

24- Roberto Campos Neto: Banco Central
O economista Roberto Campos Neto, de 49 anos, deve comandar o Banco Central. Executivo do banco Santander e neto do ex-ministro Roberto Campos, Campos Neto substituirá Ilan Goldfajn, que não aceitou o convite para permanecer no cargo. Formado em economia, com especialização em finanças, pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Campos Neto tem 49 anos. Entre 1996 e 1999, ele trabalhou no Banco Bozano Simonsen, onde ocupou os cargos de operador de Derivativos de Juros e Câmbio, operador de Dívida Externa, operador da área de Bolsa de Valores e executivo da Área de Renda Fixa Internacional. De 2000 a 2003, trabalhou como chefe da área de Renda Fixa Internacional no Santander Brasil. Em 2004, ocupou a posição de Gerente de Carteiras na Claritas. Ingressou no Santander Brasil em 2005 como operador e, em 2006, foi chefe do setor de Trading. Em 2010, passou a ser responsável pela área de Proprietária de Tesouraria e Formador de Mercado Regional e Internacional. Para assumir o cargo de presidente do Banco Central, Campos Neto precisa ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e ter seu nome aprovado. O plenário da Casa também precisa referendar a indicação. O cargo de presidente do Banco Central tem status de ministro.

*Com reportagem de Ana Carla Bermúdez, Talita Marchao, Luciana Amaral e Agência Brasil

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou este texto, o ministro da Justiça, Sergio Moro, é formado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá. A informação foi corrigida.

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