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Gilmar responde a Janot: "Recomendo que procure ajuda psiquiátrica"

Mariana Goulart/Folhapress
Imagem: Mariana Goulart/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

27/09/2019 09h11

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, respondeu à entrevista de Rodrigo Janot, em que o ex-chefe da Procuradoria-Geral da República afirma ao jornal O Estado de S. Paulo que foi armado à corte para matá-lo para, em seguida, se suicidar. Mendes recomendou que Janot "procure ajuda psiquiátrica".

"Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País", afirmou Gilmar, em nota reproduzida pelo blog do Reinaldo Azevedo, completando: "Recomendo que procure ajuda psiquiátrica. Continuaremos a defender a Constituição e o devido processo legal."

Mendes lamentou "o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas, destacando que a eventual intenção suicida, no caso, buscava apenas o livramento da pena que adviria do gesto tresloucado. Até o ato contra si mesmo seria motivado por oportunismo e covardia."

O ministro acrescentou que "o combate à corrupção no Brasil — justo, necessário e urgente — tornou-se refém de fanáticos que nunca esconderam que também tinham um projeto de poder. Dentro do que é cabível a um ministro do STF, procurei evidenciar tais desvios. E continuarei a fazê-lo em defesa da Constituição e do devido processo legal".

Gilmar Mendes se disse surpreso com a revelação de Janot, afirmando que acreditava em uma relação profissional e que "estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Agora ele revela que eu corria também risco de morrer."

O caso

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse que chegou a ir armado a uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de matar o ministro Gilmar Mendes.

"Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele [Gilmar Mendes] e depois me suicidar", afirmou Janot, que deixou a Procuradoria há dois anos.

O ex-PGR disse que o caso ocorreu em maio de 2017, quando ele --na época, chefe do Ministério Público Federal-- solicitou que o ministro do STF fosse impedido de analisar um habeas corpus de Eike Batista, sob a justificativa de que a mulher do ministro, Guiomar Mendes, era sócia de um escritório de advocacia que representava o empresário em diversos processos.

Segundo Janot, logo após o pedido de suspeição, Gilmar teria espalhado uma história de que a filha do então PGR teria prestado serviços advocatícios à OAS, empreiteira envolvida em casos da Operação Lava Jato. "Isso me tirou do sério", disse na entrevista.

"Foi logo depois que eu apresentei a sessão (...) de suspeição dele no caso do Eike. Aí ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal de uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal... e aí eu saí do sério", afirmou o ex-procurador-geral.

Ao jornal, Janot disse que foi armado a uma sessão do STF e que, na ocasião, encontrou Gilmar Mendes nos corredores. Segundo ele, foi "a mão de Deus" que o impediu de atacar o ministro.

"Ele estava sozinho, mas foi a mão de Deus. Foi a mão de Deus", repetiu. "Cheguei a entrar no Supremo [com a intenção de matá-lo]. Ele estava na sala, na entrada de sessão. Eu olhei, e aí uma 'mão' mesmo", completou.

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