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Witzel reage à acusação feita por Bolsonaro: "Fui atacado injustamente"

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel - Agência Brasil
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Imagem: Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

30/10/2019 00h48Atualizada em 30/10/2019 08h12

O governador fluminense, Wilson Witzel (PSC), reagiu com indignação à acusação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que teria vazado à imprensa informações sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).

"Lamento profundamente a manifestação intempestiva do presidente Jair Bolsonaro. Ressalto que jamais houve qualquer tipo de interferência política nas investigações conduzidas pelo Ministério Público e a cargo da Polícia Civil. Em meu governo, as instituições funcionam plenamente e o respeito à lei rege todas nossas ações", disse o governador em nota publicada no Twitter.

Reportagem da TV Globo relata que o porteiro do condomínio onde o presidente mantém residência no Rio de Janeiro afirmou que o suspeito de matar a vereadora Marielle Franco pediu para ir à casa do presidente no dia do crime. Bolsonaro, no entanto, estava na Câmara dos Deputados neste dia, segundo registro de presença da Casa

O condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro tem casa, é o mesmo onde vivia o policial militar reformado Ronnie Lessa, apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o autor dos disparos que mataram Marielle e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Witzel diz que não compactua "com vazamentos à imprensa". "Não transitamos no terreno da ilegalidade", comentou. "Não farei como fizeram comigo, prejulgar e condenar sem provas. Hoje, fui atacado injustamente. Ainda assim, defenderei, como fiz durante os anos em que exerci a Magistratura, o equilíbrio e o bom senso nas relações pessoais e institucionais. Fui eleito sob a bandeira da ética, da moralidade e do combate à corrupção. E deste caminho jamais me afastarei", concluiu.

Em transmissão nas redes sociais, Bolsonaro se isentou de responsabilidade pelo crime e fez duras críticas à imprensa, sobretudo a TV Globo, pelas reportagens que envolvem não apenas ele, mas também seus familiares. Witzel também foi alvo de críticas.

"O governador Witzel que se explique agora como vazou esse processo", disse Bolsonaro. "O senhor só se elegeu governador porque ficou o tempo todo colado com o [senador] Flávio Bolsonaro, meu filho. Ao chegar à presidência (sic), a primeira coisa que o senhor fez foi se tornar inimigo dele, para concorrer à presidência em 2022", disse.

"Estou à disposição para falar nesse processo, conversar com esse delegado sobre esse assunto, para começar a colocar em pratos limpos o que está acontecendo no meu nome. Por que estão querendo me destruir?", questionou Bolsonaro durante a transmissão desta noite.

Bolsonaro disse que não conhecia Marielle e que não tinha nenhum motivo para querer matar alguém. O presidente afirmou ainda que o porteiro pode ter assinado o depoimento sem ler.

"O que cheira isso aqui, o que parece é que ou o porteiro mentiu, ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho, ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu e assinou embaixo em confiança ao delegado, ou a quem que foi ouvir na portaria. Qual intenção disso tudo? A intenção é sempre a mesma. O tempo todo ficam em cima da minha vida, dos meus filhos.", disse o presidente.

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"Patifaria", diz Bolsonaro

Na live de hoje, gravada por volta das 4h da manhã em Riade (Arábia Saudita), onde o presidente está como parte de sua viagem por países do Oriente Médio, Bolsonaro mostrou grande indignação com a reportagem, chegando a gritar e falar palavrões.

"Qual é a intenção da Globo fazer isso ai? Nós estamos vendo problemas ocorrendo na América do Sul. Argentina, Chile, Venezuela, Bolívia, Peru... Será que a Globo quer criar uma narrativa, ou que o povo deveria ir à rua para pedir meu afastamento? É o tempo todo isso", afirmou Bolsonaro, que aproveitou e criticou a revista Época (do Grupo Globo) por reportagem em setembro sobre a atuação de Heloísa Wolf Bolsonaro, mulher do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), como psicóloga.

"Por que, TV Globo? Por que, revista Época? Essa patifaria por parte de vocês. Deixe eu governar o Brasil. Vocês perderam. Vocês vão renovar a concessão em 2022, e o processo está limpo. Vocês estão apostando em me derrubar no primeiro ano", disse.

"Eu estou fazendo uma viagem de 10 dias (pela Ásia). E vocês, TV Globo, o tempo todo infernizam minha vida. Onde vocês querem chegar, eu sei. Essa patifaria, 24 horas?", acrescentou. Por volta das 22h30 (de Brasília), a conta do presidente no Twitter publicou uma postagem criticando "canalhas" e com uma mensagem que associa a TV Globo a um esgoto.

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Acusação contra Witzel

"Esse inquérito do caso Marielle deixa claro que tem algo muito errado no caso desse processo. Eu gostaria muito de falar nesse processo, conversar com o delegado desse assunto, para colocar em pratos limpos o que está acontecendo com o meu nome", completou.

Em entrevista à Record após a live, Bolsonaro foi mais incisivo e afirmou que as informações foram vazadas à Globo por Witzel. O presidente voltou a declarar que estava em Brasília no momento da visita de Élcio Vieira ao condomínio - versão apresentada pela própria Globo.

"Segundo a reportagem, isso teria acontecido no dia 14 de março do ano passado, por volta das 17h10. A Rede Globo teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça, e quem vazou isso para a televisão foi o senhor governador Witzel. Agora, nesse mesmo dia, 14 de março, eu tenho registrado no painel da Câmara as minhas digitais, à 17h41 e 19h36. Ou seja, eu não estava no Rio de Janeiro. Agora me surpreende, o porteiro, segundo relatos, dizer que nesse horário ligou para a minha casa", disse o presidente.

A reportagem do UOL procurou a assessoria de imprensa do Governo do Rio de Janeiro, mas ainda não obteve resposta.

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