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Maia: Bolsonaro erra ao atacar imprensa, governadores e especialistas

Do UOL, em São Paulo

24/03/2020 22h43

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou via Twitter que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) errou ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública em pronunciamento feito hoje à noite em rede nacional sobre o coronavírus.

"Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública", escreveu.

"Cabe aos brasileiros seguir as normas determinadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco", acrescentou.

"O Congresso está atento e votará medidas importantes para conter a pandemia e ajudar os empresários e trabalhadores. Precisamos de paz para vencer este desafio", disse ainda Maia.

"Estamos sob o risco de ter milhões de desempregados por conta da crise do coronavírus, e precisamos criar soluções para o enfrentamento do problema. Estou propondo ao governo uma emenda que vai segregar o orçamento, criar um regime extraordinário fiscal de contratações exclusivo", escreveu.

"Vamos garantir que todo investimento seja vinculado diretamente à manutenção do emprego, ao cuidado dos mais vulneráveis e, principalmente, ao fortalecimento da área da saúde", finalizou.

Discurso

O presidente disse em seu discurso que o coronavírus não passa de uma "gripezinha". Ele também acusou a imprensa de espalhar pânico, atacou governadores por determinarem quarentena em diversos estados brasileiros e contrariou pedidos da Organização Mundial de Saúde ao pedir para que o Brasil volte à "normalidade" para não atrapalhar a economia.

"O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar, empregos devem ser mantidos, o sustento das famílias deve ser preservado, devemos, sim, voltar a normalidade", disse o chefe do Executivo.

"Grande parte dos meios de comunicação foi na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro chefe o anúncio de um grande número de vítimas na Itália, um país com grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso. Um cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhe pelo nosso país", acrescentou.

Bolsonaro ainda questionou o fechamento de escolas e disse que não precisaria se preocupar caso seja contaminado pelo vírus, já que tem "histórico de atleta'.

"No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão", falou.

Durante os pouco mais de cinco minutos de fala do presidente, vários panelaços contra o presidente Bolsonaro foram realizados em cidades brasileiras.

Amanhã, Bolsonaro vai se reunir com os governadores do Sudeste para decidir novas medidas, principalmente econômicas, sobre como o Brasil vai seguir encarando o coronavírus.

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