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Bolsonaro diz ser contra exame da OAB para advogados: 'Caça-níquel'

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

29/05/2020 09h42

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje ser a favor de que advogados possam exercer a profissão sem a necessidade de fazer o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que ele classificou como "um caça-níquel".

Esta não é a primeira vez que Bolsonaro se posiciona contra o exame da OAB. Esse tema tem feito parte da retórica do presidente desde a campanha eleitoral de 2018. Ele chegou a afirmar que muitos bacharéis em Direito acabavam atuando como "boys de luxo" em escritórios de advocacia.

Em conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada, transmitida em seu Facebook, o presidente foi abordado por simpatizante dizendo que os bacharéis querem trabalhar.

"Tinha projeto de interesse de vocês no passado, o Eduardo Cunha colocou em votação quando era presidente (da Câmara) e foi derrotado, com toda a força que ele tinha naquele momento. Então, você vê a dificuldade de atender seu pleito", respondeu Bolsonaro.

"Eu acho justo: fez faculdade, pode trabalhar. Não tem que fazer exame de ordem, não, que é um caça-níquel muitas vezes", continuou.

A OAB é presidida por Felipe Santa Cruz. Em julho do ano passado, o presidente atacou Santa Cruz afirmando que poderia "contar a verdade" sobre como seu pai, Fernando Santa Cruz, desapareceu durante a ditadura militar. "Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade", afirmou Bolsonaro na ocasião.

A declaração ocorreu quando ele reclamava da atuação da OAB na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do atentado à faca do qual foi alvo.

Posteriormente, Bolsonaro insinuou que Fernando teria sido assassinado por companheiros, argumentando que havia "justiçamento" dentro da própria esquerda, durante o período militar. No entanto, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao governo, emitiu uma retificação de atestado de óbito dele na qual reconhece que sua morte ocorreu "em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro.

Recentemente, em cerimônia para a troca de comando do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Santa Cruz fez um discurso com uma série de recados ao governo sobre a crise política e as medidas de enfrentamento ao novo coronavírus.

Sem citar Bolsonaro diretamente, o presidente da OAB afirmou que a situação do Brasil torna-se "ainda mais grave diante de posturas autoritárias que afrontam as determinações científicas e negam a realidade".

Política