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Política

Em 7 de Setembro, Bolsonaro cita miscigenação, Deus e sombra do comunismo

Do UOL, em São Paulo

07/09/2020 20h06

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) celebrou hoje, em pronunciamento, o Dia da Independência do Brasil e apresentou um resumo da trajetória do país nos últimos dois séculos, citando a miscigenação do povo brasileiro, Deus, as diversas crenças aqui existentes e até o temor do comunismo, além de reafirmar o seu compromisso com a Constituição. Panelaços pelo Brasil acompanharam a fala do presidente.

"O sangue dos brasileiros sempre foi derramado por liberdade. Vencemos ontem, estamos vencendo hoje e venceremos sempre. No momento em que celebramos essa data tão especial, reitero, como presidente da República, meu amor à Pátria e meu compromisso com a Constituição e com a preservação da soberania, democracia e liberdade, valores dos quais nosso país jamais abrirá mão", disse o presidente, em rede nacional de televisão e rádio.

Bolsonaro apontou, em fala que durou pouco mais de quatro minutos, a luta contra o que ele chamou de ameaça do comunismo na década de 1960, que, segundo o presidente, estava "tomado pela radicalização ideológica".

Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada
Jair Bolsonaro, presidente da República

Outro tema abordado pelo chefe do Executivo foi o trabalho do Exército na Segunda Guerra Mundial, quando a "Força Expedicionária Brasileira foi à Europa para ajudar o mundo a derrotar o nazismo e o fascismo".

O presidente também declarou que, desde a Independência, o Brasil indicou que jamais seria submisso a qualquer outra nação e que o povo não abrirá mão da sua liberdade, com a identidade nacional sendo desenhada pela "miscigenação entre índios, brancos e negros".

"Posteriormente, ondas de imigrantes se sucederam, trazendo esperanças que em suas terras haviam perdido. Religiões, crenças, comportamentos e visões eram assimilados e respeitados. O Brasil desenvolveu o senso de tolerância, os diferentes tornavam-se iguais. O legado dessa mistura é um conjunto de preciosidades culturais, étnicas e religiosas, que foram integradas aos costumes nacionais e orgulhosamente assumidas como brasileiras."

Presidente Jair Bolsonaro em atos do Dia da Independência (7 de setembro) em Brasília - ADRIANO MACHADO/REUTERS - ADRIANO MACHADO/REUTERS
Presidente Jair Bolsonaro em atos do Dia da Independência (7 de setembro) em Brasília
Imagem: ADRIANO MACHADO/REUTERS

Mais cedo, Bolsonaro comemorou o feriado no Palácio da Alvorada com aglomeração, adultos e crianças sem máscaras e apresentação da esquadrilha da fumaça, unidade da FAB (Força Aérea Brasileira).

A solenidade, organizada após o cancelamento do tradicional desfile da Independência na Esplanada dos Ministérios por causa da pandemia do novo coronavírus, foi menor do que o registrado em anos anteriores, mas atraiu centenas de apoiadores do presidente.

Ao fim do evento, Bolsonaro se aproximou da multidão aglomerada para saudar os apoiadores, bem como os seus ministros de estado. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também foi muito festejada pelo público.

Leia o discurso na íntegra:

"Boa noite.

Naquele histórico 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga, o Brasil dizia ao mundo que nunca mais aceitaria ser submisso a qualquer outra nação e que os brasileiros jamais abririam mão da sua liberdade.

A identidade nacional começou a ser desenhada com a miscigenação entre índios, brancos e negros. Posteriormente, ondas de imigrantes se sucederam, trazendo esperanças que em suas terras haviam perdido.

Religiões, crenças, comportamentos e visões eram assimilados e respeitados.

O Brasil desenvolveu o senso de tolerância, os diferentes tornavam-se iguais. O legado dessa mistura é um conjunto de preciosidades culturais, étnicas e religiosas, que foram integradas aos costumes nacionais e orgulhosamente assumidas como brasileiras.

Passados quase dois séculos da Independência, nos quais enfrentou e superou inúmeros desafios, o Brasil consolidou sua posição no concerto das nações.

Ainda no século 19, durante o período do Império, fomos invadidos e agredidos, derrotando a todos.

Já no século 20, durante a Segunda Guerra Mundial, a Força Expedicionária Brasileira foi à Europa para ajudar o mundo a derrotar o nazismo e o fascismo.

Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada.

O sangue dos brasileiros sempre foi derramado por liberdade.

Vencemos ontem, estamos vencendo hoje e venceremos sempre.

No momento em que celebramos essa data tão especial, reitero, como presidente da República, meu amor à Pátria e meu compromisso com a Constituição e com a preservação da soberania, democracia e liberdade, valores dos quais nosso país jamais abrirá mão.

A Independência do Brasil merece ser comemorada hoje, nos nossos lares e em nossos corações.

A Independência nos deu a liberdade para decidir nossos destinos e a usamos para escolher a democracia.

Formamos um povo que acredita poder fazer melhor.

Somos uma Nação temente a Deus, que respeita a família e que ama a sua Pátria.

Orgulho de ser brasileiro".

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