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Conteúdo publicado há
1 mês

Doria chama Bolsonaro de 'facínora'; presidente rebate: 'não é homem'

Douglas Porto, Sara Baptista, Juliana Arreguy e Leonardo Martins

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

15/01/2021 17h21Atualizada em 15/01/2021 20h29

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, na tarde de hoje, que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), "não é homem". O presidente rebateu declarações que Doria havia dado mais cedo, chamando Bolsonaro de "facínora".

Em entrevista ao programa Brasil Urgente, da TV Band, Bolsonaro criticou as ações do governador paulista no combate à pandemia de covid-19. "Ele quer jogar a responsabilidade para cima de mim? Será que ele tem coragem, que homem ele não é, nós sabemos que esse pilantra não é homem", afirmou.

O presidente se defendeu das acusações de Doria e também o atacou. "Com palavras de baixo calão, como esse governador está falando, me chamando de facínora, isso é coisa de irresponsável. É um cara que está morto politicamente em São Paulo. Ele não sai na rua em São Paulo. Não vai na padaria comprar um pão, não vai na praia. Não tem mais prestígio para absolutamente nada. Agora está em um desespero para me atingir", disse, citando que Doria usou seu nome durante a campanha para se eleger governador paulista em 2018.

Bolsonaro mente sobre STF

Ainda na entrevista à Band, Bolsonaro mentiu, ao dizer ter sido proibido de adotar "qualquer ação" contra o coronavírus. Em abril, o STF (Supremo Tribunal Federal) reafirmou a autonomia de estados e municípios para adotar medidas de isolamento social e definir quais atividades serão suspensas, mas não tirou do governo federal o poder para atribuições relativas à pandemia.

Assista à entrevista de Bolsonaro no Brasil Urgente

Band Notí­cias

"Só Deus me tira daqui. Me tirar na mão grande não vão tirar. Vou repetir aqui: que moral tem João Doria e Rodrigo Maia em falar em impeachment se eu fui impedido pelo STF de fazer qualquer ação contra a pandemia?", afirmou Bolsonaro, em entrevista a José Luiz Datena.

Não é a primeira vez que o chefe do Executivo se declara impedido de adotar ações de combate à pandemia, colocando na conta do Supremo a responsabilidade pelas decisões.

Em junho passado, a ministra do STF Cármen Lúcia explicou ao UOL que o entendimento da Corte é de que o governo federal não pode interferir nas decisões locais, já que governadores e prefeitos entendem melhor as necessidades de suas respectivas regiões. Isso não significa que o governo não possa adotar medidas de abrangência nacional.

O que o Supremo disse é que a responsabilidade é dos três níveis [federativos] -- e não é hierarquia, porque na federação não há hierarquia --- para estabelecer condições necessárias, de acordo com o que cientistas e médicos estão dizendo que é necessário, junto com governadores, junto com prefeitos
Ministra do STF Cármen Lúcia

Doria defende 'panelaços'

Devido ao colapso no sistema de saúde de Manaus (AM), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um "facínora" e defendeu que os brasileiros reajam contra o governo federal com panelaços e pelas redes sociais, sem se aglomerar nas ruas com manifestações.

A declaração foi dada hoje à tarde, em São Paulo, em encontro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da Casa, que tem como adversário Arthur Lira (PP-AL), nome de Bolsonaro na disputa eleitoral do Congresso.

Questionado se permitiria manifestações de rua contra o governo, Doria respondeu que "preserva vidas" e que, por mais que seja contrário ao governo federal, defende que as pessoas se manifestem de dentro das suas casas, com panelaços.

"Um governo sem rumo, sem plano, sem meta e, principalmente, sem coração. Será que o Brasil, que já se mobilizou nas ruas pela mudança das Diretas Já, outros movimentos cívicos importantes, vai continuar e não vai reagir?."

"Reaja Brasil, reaja Congresso Nacional, reajam governadores, reajam prefeitos, reajam dirigentes sindicais, reajam formadores de opinião. Ampliem a reação da imprensa, um dos poucos segmentos do país que tem se mantido a contrapor-se ao facínora [quem executa um crime com crueldade] que governa o país", acrescentou Doria.

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