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Doria chama Bolsonaro de 'facínora', pede reação popular e defende panelaço

João Doria, governador de São Paulo - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
João Doria, governador de São Paulo Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/01/2021 17h12Atualizada em 15/01/2021 17h31

Após o colapso no sistema de saúde de Manaus (AM), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um "facínora" e defendeu que os brasileiros reajam contra o governo federal com panelaços e pelas redes sociais, sem se aglomerar nas ruas com manifestações.

A declaração foi dada hoje à tarde, em São Paulo, em encontro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da Casa, que tem como adversário Arthur Lira (PP-AL), nome de Bolsonaro na disputa eleitoral do Congresso.

Questionado se permitiria manifestações de rua contra o governo, Doria respondeu que "preserva vidas" e que, por mais que seja contrário ao governo federal, defende que as pessoas se manifestem de dentro das suas casas, com panelaços.

"Um governo sem rumo, sem plano, sem meta e, principalmente, sem coração. Será que o Brasil, que já se mobilizou nas ruas pela mudança das Diretas Já, outros movimentos cívicos importantes, vai continuar e não vai reagir?

Reaja Brasil, reaja Congresso Nacional, reajam governadores, reajam prefeitos, reajam dirigentes sindicais, reajam formadores de opinião. Ampliem a reação da imprensa, um dos poucos segmentos do país que tem se mantido a contrapor-se ao facínora [quem executa um crime com crueldade] que governa o país
João Doria, governador de São Paulo

Sobre as manifestações de rua, Doria afirmou que "não é o momento para aglomerações".

"Essa, aliás, mais uma das razões que interessam ao presidente Jair Bolsonaro de estender essa tristeza dramática da pandemia: sem povo na rua, quem protesta contra Bolsonaro? Mas há outras formas de fazer isso. As pessoas podem se manifestar nas janelas de suas casas", disse.

Mais cedo, durante anúncio sobre a mudança de fase no chamado Plano São Paulo, de funcionamento de atividades no estado, o governador demonstrou irritação hoje ao comentar a situação de colapso no sistema de saúde do Amazonas e a falta de estoque de oxigênio nos hospitais por conta da pandemia de covid-19.

Doria se mostrou indignado com a notícia de que o governo do Amazonas está pedindo ajuda para 60 bebês prematuros que podem ficar sem oxigênio.

"Gente, é o fim do mundo isso. Para quem é pai, quem é mãe, não ter oxigênio para bebê? A irresponsabilidade do governo Bolsonaro, me choca isso como brasileiro!", disse Doria, exaltado, enquanto batia o próprio celular contra sua bancada da entrevista coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Pouco depois, o governador paulista pediu desculpas pelo desabafo, mas voltou a atacar o governo federal pela situação.

"Em outro país isso talvez fosse classificado como genocídio", afirmou Doria, que repercutiu uma publicação da jornalista Daniela Lima, da CNN Brasil, feita no Twitter.

Informação da @renataagostini : O GOVERNO DO AMAZONAS ESTÁ PEDINDO A OUTROS ESTADOS QUE RECEBAM 60 BEBÊS PREMATUROS QUE PODEM FICAR SEM OXIGÊNIO. Bebês, gente. Não tenho mais palavras. https://t.co/efVkYU52AQ

-- Daniela Lima (@DanielaLima_) January 15, 2021

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