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15 dias

Filho diz que Flordelis tentou convencê-lo a assumir o assassinato do pai

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) durante evento em março de 2019 - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) durante evento em março de 2019 Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

19/04/2021 13h28Atualizada em 19/04/2021 15h49

Lucas Cézar dos Santos de Souza, filho afetivo da deputada Flordelis (PSD-RJ), disse hoje que a mãe tentou convencê-lo a assumir a responsabilidade pela morte do pai, o pastor Anderson do Carmo, ocorrida em 16 de junho de 2019, no Rio de Janeiro.

Segundo Lucas, a mãe teria enviado uma carta para ele no presídio pedindo que ele assumisse a autoria do crime. No entanto, o jovem declarou que não tem mais o registro porque o irmão com quem dividia a cela, Flávio dos Santos, que confessou ter atirado no pastor, havia rasgado a carta e "jogado fora porque [Lucas] não podia ficar com ela".

"Minha mãe mandava carta com frequência para mim e, em uma dessas, ela mandou pedindo para eu assumir a autoria do crime se não podia atrapalhar ela, que estavam querendo prender ela, podia prejudicar o Flávio, que ela não ia me abandonar, ia me dar toda a assistência. Inclusive, [a carta] tinha a assinatura dela [Flordelis]", relatou Lucas, que está preso desde 2019, em videoconferência ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

Privado de liberdade no Presídio Tiago Teles de Castro Domingues, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, Lucas afirmou que não havia chance de a mãe não saber acerca do planejamento do assassinato do marido. Ao ser questionado pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP), relator do processo na Casa contra a parlamentar, Lucas disse que não teria como o pai afetivo morrer sem que a mãe tivesse conhecimento.

"Você acha que o Anderson estaria vivo se a Flordelis não tivesse participado ou se ela tivesse conhecimento e tivesse intervindo para que não acontecesse isso, ainda assim, teria ocorrido?", perguntou Leite. "Não, não teria ocorrido, não. Com certeza, não teria ocorrido. [O Anderson] estaria vivo até hoje", declarou a testemunha.

A deputada é acusada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) de ser a mandante do crime, mas nega qualquer envolvimento na morte e, inclusive, chorou no último mês ao ser ouvida no Conselho de Ética da Câmara. Fora o processo na Justiça do Rio, a parlamentar enfrenta uma representação no Conselho de Ética por quebra de decoro, que pode levar à cassação de seu mandato.

A parlamentar afirmou que uma das filhas, Simone dos Santos Rodrigues, seria a mandante do crime. Simone confessou ter pagado R$ 5 mil pela morte de Anderson e alegou que o assassinato teria ocorrido devido as investidas sexuais do marido da deputada.

Flordelis foi indiciada sob acusação de crime de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa majorada. Só não foi presa porque tem imunidade parlamentar. Atualmente, é monitorada por tornozeleira eletrônica. Outros filhos e familiares da parlamentar também estão presos por suspeita na participação do crime.

Planejamento do crime

Lucas está preso sob acusação de ter ajudado Flávio a comprar a arma utilizada no crime que, segundo a testemunha, teria custado R$ 8,5 mil. Segundo Lucas, o irmão disse que compraria a arma para se defender de pessoas que estariam o ameaçando. Para o depoente, o homem não tinha condições de comprar a arma pois trabalhava como motorista de aplicativo no RJ.

Lucas ainda afirmou que a irmã, Marzy Teixeira, teria falado com ele pela primeira vez sobre os planos de matar Anderson.

"Quem entrou em contato comigo pela primeira vez foi a Marzy, no finalzinho de Janeiro de 2019. Ela me ofereceu um dinheiro, falou que o Anderson estava atrapalhando a vida dela, estava atrapalhando a vida da minha mãe, que ninguém na casa estava mais suportando mais ele. Na época eu estava [trabalhando] no tráfico de drogas, e ela [Marzy] me ofereceu R$ 10 mil e alguns relógios para eu dar fim nele [Anderson]."

Ao ser questionado pelo deputado Alexandre Leite se Marzy teria alguma fonte de renda para pagar o dinheiro prometido para o jovem cometer o crime, Lucas disse que a irmã não tinha condições, mas também não falou quem pagaria pelo trabalho.

Lucas explicou que Marzy chegou a mostrar para ele mensagens trocadas entre ela e Flordelis. "Tem um print que ela [Marzy] chegou a mandar para o meu telefone [da Flordelis] pedindo para ela me convencer a fazer isso, para eu simular um assalto e matar ele. Que ela [mãe] não estava mais suportando ele porque ele estava atrapalhando ela", explicou destacando que a parlamentar nunca chegou a falar com ele pessoalmente sobre o crime.

Ainda na tarde de hoje, o Conselho ouvirá a testemunha Andrea Santos Maia, que está presa por suspeita de fraudar a carta na qual um dos filhos confessa ter assassinado o pastor, informou a Agência de Notícias da Câmara.

Depois da finalização do processo, o Conselho determinará se arquivará o processo ou punirá Flordelis através de advertência, suspensão ou cassação do mandato dela. Para a parlamentar perder o mandado é preciso ao menos 257 votos no plenário em concordância com a perda do mandato.

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