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3 meses

Flordelis chora e alega inocência em Conselho de Ética; processo segue

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

16/03/2021 15h23Atualizada em 16/03/2021 17h14

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) chorou hoje no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e alegou ser inocente em relação ao assassinato do marido, Anderson do Carmo. Ela é acusada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) de ser a mandante do crime. Anderson foi morto a tiros na casa da família, em Niterói (RJ), em 16 de junho de 2019.

Fora o processo na Justiça do Rio, a parlamentar enfrenta uma representação no Conselho de Ética por quebra de decoro, que pode levar à cassação de seu mandato. Além de negar as acusações de que tenha mandado matar o marido, disse estar sofrendo uma "perseguição implacável" e não ter "um único momento de paz" nos últimos dois anos.

"Sou inocente, não mandei matar meu marido. Não participei de nenhum ato de conspiração contra a vida do homem que foi meu companheiro por muitos anos, mais de 20 anos", falou, ao dizer que Anderson era "muito mais do que meu marido, era meu amigo". Segundo a deputada, ambos eram "inseparáveis".

Flordelis disse estar havendo um "assassinato" de sua reputação e lembrou aos demais parlamentares que ainda não acabou de ser julgada pela Justiça. Ela pediu que os colegas "não cometam nenhuma injustiça" e a vejam como mulher e mãe, antes de como parlamentar.

"Tenho o direito de ter minha dignidade preservada", disse, ao defender nunca ter se esquivado do processo na Justiça nem ter se aproveitado de prerrogativas por ser parlamentar.

Flordelis foi indiciada sob acusação de crime de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa majorada. Só não foi presa porque tem imunidade parlamentar. Atualmente, é monitorada por tornozeleira eletrônica.

Uma das filhas de Flordelis, Simone dos Santos Rodrigues, confessou ter pagado R$ 5 mil pela morte de Anderson. O assassinato teria ocorrido devido a investidas sexuais do marido de Flordelis. Outros integrantes da família também respondem a processo na Justiça por possível envolvimento no caso.

Na fala, Flordelis afirmou que ainda não teve a "coragem" de ouvir toda a confissão da filha Simone, mas disse ter ficado sabendo que ela "falou que mandou matar o meu marido".

"Isso não está certo. Não era esse o caminho que ela tinha que tomar", disse.

A deputada afirmou não saber dos supostos assédios de Anderson. "Eu não sabia o que estava acontecendo dentro da minha casa. Eu não sabia que o meu marido estava assediando a minha filha", alegou.

A defesa de Flordelis entregou ontem uma defesa por escrito e pediu que a admissibilidade do processo fosse reconsiderada pelo relator do caso, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP). O parlamentar falou que, como a representação partiu da Mesa Diretora da Casa, o regimento não permite tal análise no momento. Portanto, o processo segue a tramitar.

Agora, como relator, Leite deverá promover ações para substanciar seu parecer, como ouvir testemunhas, em até 40 dias úteis.

O deputado disse que Flordelis optou por não entrar na discussão da prova na defesa escrita, "se limitando a informar que, em momento oportuno, tais questões serão trazidas e suscitadas" para a apreciação do colegiado.

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