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Lula deveria ter sido candidato em 2014, e não Dilma, diz governador do PI

Wellington Dias (PT) disse que reeleição de Dilma em 2014 foi um erro - Valter Campanato/Agência Brasil
Wellington Dias (PT) disse que reeleição de Dilma em 2014 foi um erro Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

16/07/2021 09h14Atualizada em 16/07/2021 09h30

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição em 2014 foi um erro de seu partido, que deveria ter apostado na volta de Luís Inácio Lula da Silva para a presidência.

Dias, no entanto, diverge da postura de grande parte dos integrantes do PT, que defendem o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Para ele, ainda não há provas que justifique o impedimento, mas que o cenário pode mudar com o avanço das investigações da CPI da Covid.

"Não podemos banalizar o instrumento do impeachment. Ou existe uma prova muito concreta, robusta, ou temos de respeitar a soberania da vontade popular", disse o petista em entrevista à revista "Veja".

Ao comentar sobre o governo Dilma, que sofreu impeachment em 2016, Dias afirmou que, olhando para trás, a ex-presidente não era a melhor candidata para as eleições presidenciais de 2014. Segundo ele, o momento alguém com maior capacidade de diálogo e de articulação política.

Olhando para trás, acho que, se Lula tivesse sido candidato em 2014, creio que não teríamos enfrentado os problemas que enfrentamos.
Wellington Dias, governador do Piauí, em entrevista à 'Veja'

Em 2014, Dilma e o PT já eram alvos de protestos por causa das denúncias de corrupção da operação Lava Jato, e o país sentia os primeiros efeitos da recessão econômica, que durou até 2016.

À época, o nome de Lula chegou a ser aventado para disputar novamente a presidência, mas ele abriu mão de disputar as eleições para dar à Dilma a chance de se reeleger.

Impeachment de Bolsonaro

Enquanto membros do PT assinaram um "superpedido' de impeachment contra Bolsonaro, junto com outros oposicionistas, o governador do Piauí adota uma postura mais cautelosa em relação ao tema.

Para ele, é preciso esperar o avanço da CPI da Covid para dizer se o objetivo da política adotada era causar as mortes ou se tinha mesmo alguém que acreditava que a propagação do vírus (a chamada imunidade de rebanho) era uma forma de se livrar rápido do problema.

"Se houve mesmo incentivo à propagação do vírus para se livrar da pandemia, foi uma política genocida", declarou.

Sobre as denúncias de corrupção na compra de vacinas apuradas pela comissão, Dias afirmou que, se for confirmado que houve desvios, o cenário pode mudar, e o impeachment ganhará força.

"Se tiver desvios, especialmente nesse caso da Covaxin, aí muda tudo. Se o remédio necessário for o impeachment, vamos usar. Mas não podemos levar o país a aventuras", disse.

Corrupção em governos do PT

Questionado sobre os casos de corrupção durante governos do PT, Dias afirmou que quem a Justiça comprovou que cometeu crimes foi expulso do partido, como o ex-ministro Antonio Palocci, que confessou, em delação premiada na operação Lava Jato, ter participado de esquemas.

Sobre Lula, o governador repetiu o discurso de que o ex-presidente foi vítima de perseguição política coordenada pelo ex-juiz Sergio Moro.

"Eu sempre disse que a Lava-Jato era uma ação contra os líderes políticos e empresariais. Nós vamos defender o combate à corrupção, que ainda é grave no Brasil. Mas não dessa maneira", declarou.

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