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'Querem decidir as coisas no tapetão', diz Bolsonaro em motociata

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

07/08/2021 11h06Atualizada em 07/08/2021 16h59

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, na manhã deste sábado (7), que "querem, no tapetão, decidir as coisas no Brasil". Ele ainda mencionou o "voto confiável e contabilizado". As declarações foram feitas em um momento em que a Justiça abriu inquéritos para investigá-lo criminalmente por acusar, sem provas, que houve fraude em eleições passadas e que há riscos graves na segurança das urnas eletrônicas. As urnas são consideradas seguras e nunca houve qualquer comprovação de fraude.

Querem decidir, no tapetão as coisas. Não pode ser dessa maneira. A democracia nasce do voto responsável e contabilizado."
Jair Bolsonaro, presidente

Bolsonaro estava em um carro, chegando para uma "motociata", uma passeata de motos, em Florianópolis. Antes de chegar ao evento, o presidente divulgou em suas redes sociais um vídeo feito pelo empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan. O empresário bolsonarista estava em um avião e acenou para a multidão de motociclistas.

"Nós todos, políticos, autoridades, temos o dever de ouvir nossa população, ter lealdade para com seu povo. Isso é o que queremos, um Brasil democrático e justo para com todos. Nossa liberdade vale mais que nossa vida", disse o presidente.

Bolsonaro é alvo de inquéritos na Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Morador que reclama da gasolina é chamado de "argentino"

Antes disso, o presidente foi criticado por manifestantes que reclamaram do preço da gasolina, que disparou nos útlimos meses e já ultrapassou os R$ 6 por litro em várias cidades. "Baixa a gasolina! Baixa a gasolina!", diziam eles.

Ao ser avisado por um assessor do que se tratava a crítica, Bolsonaro disse que o morador era "argentino" —o brasileiro tem divergências ideológicas com o presidente da Argentina, Alberto Fernandez. "Por falta de conhecimento é que o povo pereceu", continuou Bolsonaro depois.

Ele ainda voltou a falar do preço da gasolina. Disse que muitas pessoas estão preocupadas. A seguir, mencionou os problemas que o país enfrenta, como a pandemia de coronavírus. "Muitos reconhecem a dificuldade que tivermos com essa pandemia, uma crise hidrológica no país, a geada", disse.

Bolsonaro divulga imagens de loja de empresário aliado

Antes de chegar ao evento, o presidente divulgou em suas redes sociais um vídeo feito pelo empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan. O empresário governista estava numa aeronave e acenou para a multidão de motociclistas.

Depois, durante a motociata, Bolsonaro pilotou sua moto até um ponto da via em frente às lojas Havan. As imagens feitas por seus assessores em redes sociais focalizaram a loja. Lá, o presidente parou o veículo, subiu na moto e acenou para os moradores. Novamente, as imagens exibiram a loja.

Hang é um apoiador do presidente. Ele estava no local e, de cima de uma moto, segurou a mão de Bolsonaro. Ambos acenaram para a multidão. As pessoas que se aglomeravam em volta do político gritavam "Mito".

Sem máscara, presidente abraçou militantes

Ao descer da moto, Bolsonaro estava sem máscara. À beira de uma grade, pessoas se aglomeravam, muitas delas, o equipamento de proteção obrigatório contra o coronavírus, para se aproximar dele. Ele cumprimentou e abraçou moradores. Vários exibiam a bandeira do Brasil e gritava "Mito" para o presidente.

Um locutor fazia elogios num sistema de som chamando Bolsonaro de "um homem de Deus", "o Messias que Deus ungiu", "corajoso", "Mito" e afirmando que as pessoas demonstravam o "amor e carinho" pelo político. "Somos família, somos Bolsonaro", berrou o locutor. Ele fez menções ao senador Jorginho Mello (PL-SC), aliado do governo.

De um caminhão de som, o ex-senador Magno Malta fez a população repetir um mantra: "Deus levantou Jair Messias Bolsonaro. Só Deus pode tirar. Perdeu, vagabundo".

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