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Filho de Jango ironiza veto de Bolsonaro ao nome em rodovia: 'Elogio'

17.ago.2018 - João Vicente Goulart disse que o veto do presidente é "até um elogio" - Sergio Lima/Folhapress
17.ago.2018 - João Vicente Goulart disse que o veto do presidente é 'até um elogio' Imagem: Sergio Lima/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

14/10/2021 14h48Atualizada em 14/10/2021 15h16

João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, disse que o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao nome do pai em um trecho da BR-153 pode ser considerado "até um elogio" vindo do atual chefe do Executivo. João Vicente também classificou a ação como uma "perseguição" ao pai.

Entre as justificativas para o veto ao nome de Jango, Bolsonaro alegou que personalidades da história podem ser homenageadas desde que "não seja inspirada por práticas dissonantes das ambições de um Estado Democrático". O veto foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União e não cita especificamente a quais práticas do ex-presidente se refere.

"Jango jamais admitiria ser homenageado por esse atual presidente. Esse veto, partindo de Bolsonaro, é até um elogio. É para colocar no currículo de João Goulart", declarou o filho do ex-presidente ao jornal O Globo.

João Goulart presidiu o Brasil de 1961, quando Jânio Quadros renunciou, até o golpe de 1964. A deposição de Jango ocorreu em meio a críticas de opositores que viam sua política excessivamente alinhada à esquerda, sendo que até hoje defensores da Ditadura Militar justificam o golpe como um suposto antídoto a uma "ameaça comunista". Essa visão é contestada por grande parte dos historiadores.

Após ironizar a decisão do atual chefe do Executivo, João Vicente classificou a ação como uma "perseguição" ao pai vinda de Bolsonaro e seus apoiadores, que frequentemente atacam as instituições. O presidente já classificou a ditadura como um período "um pouco diferente do que vivemos hoje" e exaltou os presidentes militares que governaram o país entre 1964 e 1985.

Ao longo de sua trajetória política como deputado, Bolsonaro também já defendeu a ditadura, sugeriu o fechamento do Congresso e o fuzilamento do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

No ano passado, em diversas ocasiões manifestantes estiveram em Brasília junto de Bolsonaro para manifestações antidemocráticas que pediam intervenção militar e a volta do AI-5 (Ato Institucional 5), que limitou direitos civis e é considerado um dos momentos mais duros da Ditadura Militar (1964-1985). Políticos e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) reprovaram a participação do presidente nas manifestações.

"É mais uma perseguição, como tantas outras. Nada me surpreende vindo de Bolsonaro. Ele tem absoluto ódio e resistência a todos que pertenceram à história e não será o corte do nome de Jango de uma rodovia, muito menos da lavra dele, que irá tirar o Jango da história nacional. Tenho minhas dúvidas sobre como ele, Bolsonaro, vai entrar para a história", afirmou.

Crítico de Goulart

Defensor da Ditadura Militar, Bolsonaro já tinha se colocado contra uma outra homenagem a João Goulart na época em que era deputado federal, em 2013. Na ocasião, o Congresso Nacional aprovou um projeto que anulou a sessão do Congresso de 2 de abril de 1964, quando foi declarada vaga a Presidência da República, então ocupada por João Goulart.

O argumento usado à época foi que Jango havia fugido do Brasil. Os autores do projeto de resolução ressaltaram que a vacância não poderia ter sido declarada, porque o ex-presidente estava em solo brasileiro, e não no exterior.

Bolsonaro votou contra a homenagem de 2013 reforçando sua posição de apoio ao golpe de 1964, dizendo que ele "salvou o país de um regime ditatorial". "Querem apagar um fato histórico de modo infantil. Isso é mais do que stalinismo, quando se apagavam fotografias, querem apagar o Diário do Congresso", disse na ocasião.

*Com informações de Guilherme Mazieiroo, do UOL, em Brasília, e do Estadão Conteúdo

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