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Às vésperas de relatório final, Bolsonaro ataca CPI e elogia Pazuello

Jair Bolsonaro (sem partido) em entrevista para a Rádio Novas da Paz, de Pernambuco - Reprodução/Facebook
Jair Bolsonaro (sem partido) em entrevista para a Rádio Novas da Paz, de Pernambuco Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

14/10/2021 12h50Atualizada em 14/10/2021 19h00

Em meio à expectativa pela apresentação do relatório final da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje, em entrevista à Rádio Novas de Paz, que a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado "presta um desserviço" e "não somou nada" aos brasileiros.

Bolsonaro também fez elogios ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, alvo da CPI, citando especificamente a sua atuação na crise do oxigênio em Manaus em janeiro deste ano. O ponto é considerado um dos mais críticos em relação à conduta do governo Bolsonaro na pandemia do novo coronavírus.

O relator da comissão, o senador Renan Calheiros, já adiantou que deve pedir o indiciamento de Bolsonaro. Ele citou 11 possíveis crimes cometidos pelo presidente. A expectativa é que Pazuello também seja responsabilizado no relatório, que deve ser apresentado na próxima semana.

"A CPI presta um desserviço. O que somou aos brasileiros? Nada. A gente estava vivendo uma guerra ano passado, e o que esses senadores estavam fazendo? Em casa, descansando. E o pau cantando aqui", disse Bolsonaro.

A cúpula da CPI prevê o pedido de indiciamento de ao menos trinta pessoas. A leitura do documento está prevista para o dia 19 de outubro, e a votação no dia 20.

Crise no Amazonas

O presidente ainda disse que Pazuello "trabalhou de domingo a domingo" e que agiu rápido na crise do oxigênio no Amazonas.

Porém, documentos colhidos pela comissão e outros depoimentos contradizem a versão apresentada pelo ex-ministro, que diz ter sido avisado na noite do dia 10 de janeiro. O ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo alega que fez o pedido ainda no dia 7 de janeiro.

"O Pazuello trabalhou de domingo a domingo aqui. Crise de oxigênio em Manaus, no dia seguinte chegou os primeiros cilindros lá. Os mais variados problemas, trabalhando 24 horas por dia e agora a CPI quer incriminar a gente? Estão de brincadeira", disse Bolsonaro.

Quando falou à CPI, Pazuello buscou se eximir de qualquer culpa ou omissão pela crise no Amazonas, embora tenha sido contestado por senadores. Ele declarou que a responsabilidade de monitoramento do estoque de oxigênio não era o foco da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas e que o governo federal atendeu aos pedidos quando solicitado.

Segundo parte de membros da Comissão Parlamentar de Inquérito, no Senado Federal, há evidências de que o governo federal ignorou sucessivos alertas do governo do Amazonas a respeito da iminência do colapso na rede hospitalar. Essa é uma das linhas de investigação em curso na CPI.

Reportagem do UOL mostrou hoje que um documento do governo federal enviado à CPI da Covid, por exemplo, aponta que o Ministério da Saúde sabia da escassez de respiradores no Amazonas um mês antes do colapso.

Conselho de Medicina

Na entrevista, Bolsonaro ainda cutucou a CPI ao dizer que o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Luiz de Brito Ribeiro, não foi chamado para depor porque "daria um banho" nos senadores.

Na semana passada, o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou que Ribeiro passou à condição de investigado pela comissão que apura irregularidades do governo federal durante a pandemia.

A decisão de Renan de incluir Ribeiro como investigado no relatório se embasou nas denúncias contra a Prevent Senior e as supostas irregularidades relacionadas ao uso do chamado "kit covid" — remédios sem eficácia comprovada para tratamento da doença.

Porém, a CPI não conseguiu convocar Ribeiro a tempo. A comissão entra na reta final de depoimentos na próxima semana.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.