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STF inclui entrevista de Bolsonaro em inquérito sobre interferência na PF

Bolsonaro e Sergio Moro acenam - Sergio Lima/Poder 360
Bolsonaro e Sergio Moro acenam Imagem: Sergio Lima/Poder 360

Weudson Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Brasília

27/01/2022 20h57

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo tribunal Federal), decidiu hoje incluir uma entrevista concedida pelo presidente Jair Bolsonaro ao jornal Gazeta do Povo no inquérito que apura suposta interferência na Polícia Federal.

A decisão atende a um pedido do ex-ministro da Justiça Sergio Moro que —ao deixar o governo em abril de 2020— acusou Bolsonaro de tentar interferir na corporação para proteger familiares.

"Tendo em vista que o objeto da presente investigação é justamente a suposta busca de favorecimento pessoal pelo Presidente da República a partir da indicação de cargos de direção na Polícia Federal dirigida ao noticiante Sergio Moro, essa entrevista deve ser analisada, em momento oportuno, conjuntamente com os demais elementos colhidos no curso da investigação", destaca Moraes.

Em sua solicitação, Moro pedia ainda que um texto em que o site O Antagonista repercutia a entrevista de Bolsonaro à Gazeta do Povo fosse incluído no processo. O pedido foi indeferido por Moraes.

"O juízo de valor emitido por comentarista político a respeito das declarações do noticiado não possui relevância probatória, tampouco deve ser utilizado como base para a formação de convicção do órgão persecutor, devendo ser considerado prova impertinente", destaca Moraes.

O que diz Bolsonaro na entrevista

Na entrevista à Gazeta do Povo, publicada em dezembro do ano passado, Bolsonaro afirmava que pediu a seus ministros para não ser "chantageado" a partir de investigações contra sua família.

"Eu sempre dizia na reunião de ministros: 'Eu não quero ser blindado por nenhum de vocês. Eu não posso admitir é ser chantageado. Assim era comum acontecer", diz Bolsonaro na entrevista.

O presidente também criticou a atuação de Moro, que, em sua avaliação, tomava deliberadamente decisões que prejudicavam aliados do governo.

"As ações eram direcionadas, selecionadas pelo ministro", disse Bolsonaro, ao afirmar que chegou a pedir que Moro investigasse políticos de esquerda e de fora do governo, suspeitos de terem usado de candidatas laranjas nas eleições de 2018.

"Moro não fez absolutamente nada para que Coaf, para que Receita, não só bisbilhotasse a minha vida, como a de milhares de brasileiros. Você pode investigar o filho do presidente? Pode. A mulher do presidente? Pode. Mas investiga legalmente, com uma acusação formal. Eu posso ser investigado, sem problema nenhum, mas não dessa forma como eles fazem", afirmou o presidente.

"Eu queria mandar Moro embora lá atrás, mas como ele tinha um prestígio muito grande, ficava difícil ter de justificar a demissão dele", disse Bolsonaro.

Quebra de sigilo bancário de Fabrício Queiroz revelou que a primeira-dama recebeu ao menos R$ 72 mil do ex-assessor de seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro, de 2011 até 2016.

Os dados vão na contramão do que afirmou Bolsonaro em 2018, quando relatório do Coaf revelou que Queiroz havia depositado cheques que somavam R$ 24 mil na conta de Michelle.

Segundo o presidente, o valor era parte do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil que ele tinha feito ao ex-assessor de Flávio.

Críticas a Moraes

Na entrevista, o presidente subiu o tom contra Alexandre de Moraes ao lembrar o inquérito aberto pelo ministro por causa de live em que Bolsonaro associou a vacina contra covid-19 à Aids.

"É um abuso. Ele está no quintal de casa, será que ele vai entrar? Será que vai ter coragem de entrar? Não é um desafio para ele, quem está avançando é ele, não sou eu. O problema nosso não é legislação, é por parte de alguns do Judiciário, que resolveram simplesmente ignorar tudo e todos e eles serem a Constituição, eles serem a lei", afirmou Bolsonaro.

As críticas não são citadas por Moraes em sua decisão.

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