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Maierovitch: PL do aborto mostra políticos abraçando teocracia por votos

O Projeto de Lei que quer criminalizar as mulheres por aborto, até em caso de estupro, mostra os politicos brasileiros abraçando a teocracia por votos, afirmou o jurista e colunista do UOL Wálter Maierovitch durante participação no UOL News 2ª Edição desta quinta-feira (13).

O Projeto de Lei (PL) nº 1.904/2024, que equipara o aborto realizado acima de 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples, até mesmo nos casos de gravidez resultante de estupro, foi aprovado com urgência para ser apreciado na Câmara dos Deputados. Ao todo 21 homens e 12 mulheres parlamentares assinam o projeto.

Eu vejo um Brasil de cabeça para baixo onde valores são invertidos. E uma tentativa, porque não há bloqueio, cada vez maior da presença da igreja num Estado laico. O Estado laico, usando uma linguagem popular, está indo para o vinagre. Nossa tendência é abraçar uma teocracia. Wálter Maierovitch, colunista do UOL

Os políticos, ainda que não tenham vínculos ideológicos, morais ou religiosos, se aproximam e cedem a essas igrejas. Por quê? Em troca de votos. Nós temos bancada da bala, bancada evangélica. Já tivemos no passado uma Igreja Católica forte em que derrubou até os cassinos. Wálter Maierovitch, colunista do UOL

Maierovitch lembra um outro ponto em que uma ala católica paulista atuou em decisão política do governador Ademar de Barros (1947-1951 e 1963-1966) no século passado.

[Essa Igreja Católica] Atacava a prostituição e aplaudiu em pé um ato do governador de São Paulo, à época Ademar de Barros — um notório corrupto —, que colocou em guetos as prostitutas. Criou o gueto da prostituição que foi no bairro do Bom Retiro. Wálter Maierovitch, colunista do UOL

Nós temos sempre esses pontos. Temos pelo mundo também um estado teocrático como o Irã, uma teocracia que acaba servindo de inspiração. De repente nossos constitucionalistas não tiveram a cautela de dar um breque nessa situação, e de repente nós estamos vendo isso: o fundamentalismo religioso a tomar conta do Estado laico. Tomando conta de modo a desrespeitar direitos humanos, desrespeitar [neste] caso as mulheres. Wálter Maierovitch, colunista do UOL

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