Topo

EUA preparam "estações de quarentena" perante temor de surto de ebola

Em Atlanta

2014-08-07T10:36:35

07/08/2014 10h36

Os temores que o surto de ebola se estenda fora do continente africano puseram as autoridades sanitárias dos Estados Unidos em alerta e, embora descartem a possibilidade de uma epidemia, já têm preparadas 20 "estações de quarentena" para detectar viajantes infectados.

O medo de que o letal vírus possa estar a um "voo de distância" ficou maior com os recentes casos de vários passageiros infectados que morreram ao chegar a seu destino na Arábia Saudita e na Nigéria, assim como vários casos suspeitos em Nova York e Ohio, que já foram descartados.

Os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA anunciaram nesta quarta-feira (7) o aumento dos esforços, com especial ênfase nos viajantes entre as zonas mais afetadas e os Estados Unidos.

Apesar de ser pouco provável que uma pessoa se contagie com o vírus em um avião, a menos que tenha contato direto com sangue ou fluidos, como saliva ou urina, de um doente, os CDC emitiram diretrizes às companhias aéreas sobre o manejo de passageiros que estejam doentes.

"As companhias aéreas devem considerar utilizar sua própria autoridade para negar a abordagem de pacientes doentes diante da suspeita que têm ebola", indica o documento entregue pelos CDC às companhias aéreas.

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-lista','/2014/leia-mais-sobre-o-ebola-1406136364578.vm')

Os CDC recomendam, além disso, que todos os aviões que viajem aos países afetados pelo ebola contem com uma caixa de primeiros socorros especial perante a possibilidade de tratar um paciente a bordo.

Além das medidas implementadas quanto à segurança aérea, os CDC têm 20 "estações de quarentena" em algumas das cidades mais populosas do país, equipadas para detectar e isolar pessoas que possam estar contagiadas com a doença.

"As estações de quarentena estão localizadas em 20 portos de entrada (aeroportos) e postos fronteiriços terrestres por onde chegam os viajantes internacionais. Estes centros têm pessoal médico e de saúde dos CDC", explicou Belsie González, porta-voz dos CDC.

De acordo com González, estes especialistas são os que decidem se uma pessoa doente pode entrar nos Estados Unidos e quais medidas devem ser tomadas para prevenir que doenças infecciosas como o ebola se propaguem.

A porta-voz acrescentou que, além das "estações de quarentena", os hospitais de todo o país, não só o de Emory, em Atlanta, no qual foram tratados desde sábado dois pacientes com ebola, estão em possibilidades de isolar pacientes com doenças altamente contagiosas.

O diretor dos CDC, Tom Frieden, afirmou recentemente que a alta taxa de mortalidade da doença, entre 50% e 90%, possivelmente seria inferior se os pacientes fossem tratados em condições sanitárias ótimas, algo complicado nos países mais afetados, localizados na África Ocidental, perante a escassez de recursos.

Além do contato direto com sangue e outras secreções de um doente, a exposição a objetos como seringas e equipamento médico é outra via de contágio comum, o que demonstra o considerável número de médicos e enfermeiras contagiados na zona de maior risco.

O vírus causou até agora 932 mortes de 1.711 casos possíveis e confirmados na Libéria, Guiné, Serra Leoa e Nigéria, de acordo com os números mais recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Mais Ciência e Saúde