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Super-herói dá 'força' a paciente com câncer

Fernanda Bassette

Em São Paulo

17/06/2013 15h59

Explicar de maneira lúdica o diagnóstico de câncer e quais são as suas consequências para o público infantil é um dos principais desafios dos hospitais que tratam da doença. É por isso que, cada vez mais, essas unidades apostam em estratégias como histórias em quadrinhos, super-heróis e personagens infantis para se aproximar da linguagem das crianças doentes.

Há pouco mais de um mês, a Pediatria Oncológica do Hospital A.C.Camargo Câncer Center, por exemplo, foi toda decorada com super-heróis, entre eles o Batman, a Mulher-Maravilha e o Lanterna Verde - ídolos do público infantil. Por lá, as embalagens de quimioterapia - que é aplicada na veia por meio de um soro - são cobertas por cápsulas temáticas, de acordo com o super-herói escolhido pela criança, e ganham o poder de “superfórmulas”. “A ideia é que eles recebam a superfórmula para se tornarem superfortes para vencer o supervilão, que é o câncer”, afirma a médica Cecília Lima da Costa, diretora da Pediátrica Oncológica do hospital.

A imaginação não para por aí. A campanha, realizada em parceria com a agência JWT, ainda produzirá gibis que contarão histórias dos super-heróis enfrentando o câncer - a mesma doença da criança. “Vi a campanha na internet e, assim que me internei, já pedi a minha superfórmula. Escolhi a do Lanterna Verde, agora estou com o Superman. Da próxima vez, vou pedir o Batman”, afirma o sorridente Porthos Martinez Silva Leite, de 13 anos, carinhosamente chamado de "Porthinhos", que é tratado de uma leucemia. “Mulher-Maravilha eu não quero porque é de menina”, diz.

Poucos quartos depois, estava Leonardo Provazi de Souza, de 13 anos, internado por causa de um tumor ósseo recém-descoberto. Leonardo ainda não tinha escolhido o super-herói entre os disponíveis no hospital, mas em apenas uma tarde montou o super-herói Starscream, dos Transformers, com mais de 300 peças, para ser o companheiro na unidade durante os dias de tratamento. “Além dos super-heróis, aqui deixam subir visitas, deixam trazer videogame. É muito bom”, diz.

Sertanejos

Também apostando na ideia de falar sobre câncer de maneira clara e lúdica com as crianças, o Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos desenvolve uma cartilha que trará os personagens mirins da dupla sertaneja Fernando & Sorocaba como interlocutores. As cartilhas estão em elaboração e devem ser lançadas em agosto, com a Festa do Peão de Boiadeiro da cidade.

De acordo com o diretor médico do hospital, Luiz Fernando Lopes, diretor-médico do hospital, a cartilha explicará os conceitos básicos do tratamento, mas terá ênfase na nutrição desses pacientes, que muitas vezes precisam de dietas especiais. “Essa é uma forma de a gente falar com a criança sobre a alimentação correta e a importância do tratamento, usando a linguagem típica do local, que é o sertanejo”, diz.

Seguindo a mesma tendência, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) coordena o Projeto Dodói, em parceria com o Instituto Maurício de Sousa, há pelo menos três anos. Eles desenvolveram um gibi especial, com duas personagens com câncer: uma tem linfoma e outra, leucemia. De maneira lúdica, explicam aos outros personagens do gibi o que é a doença e como tratar.

A Abrale fez uma parceria com 12 hospitais do País que tratam o câncer infantil e, além do gibi, as crianças ainda recebem um boneco (Mônica ou Cebolinha) e um kit de primeiros socorros de brinquedo. “Brincar é importante e fundamental para a criança. É brincando que ela sinaliza os medos e se sente potente diante das situações”, declara a coordenadora do Departamento de Psicologia da Abrale, Maria Teresa Veit. Até hoje, já foram entregues 364 kits.

No Hospital Infantil Boldrini, a Pediatria Infantil tem brinquedos higienizados que contribuem com o tratamento das crianças. Além disso, alguns pacientes em tratamento vão para o hospital fantasiados de super-heróis. Num projeto de humanização, as crianças puseram em poesias as aflições, o que foi transformado no livreto "Jovens Poetas", distribuído no hospital.

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