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Ministro diz que retomada de produção de insulina trará "segurança para os pacientes"

Rayder Bragon

Do UOL, em Belo Horizonte

16/04/2013 13h16Atualizada em 16/04/2013 16h19

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse nesta terça-feira (16) que a retomada da produção de insulina no país, anunciada pela presidente Dilma Rousseff durante evento em Belo Horizonte, representará “segurança para os pacientes”.

A produção nacional foi interrompida em 2001, quando a empresa Biobrás, situada em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, foi comprada pela multinacional Novo Nordisk.

De acordo com o governo, uma parceria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde, com a empresa privada Biomm Technology, vai permitir a construção de uma fábrica do produto na cidade de Nova Lima, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte.
Ao todo, serão investidos R$ 430 milhões, sendo R$ 80 milhões do Ministério da Saúde e o restante por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES).

Dilma quer insulina nas farmácias populares em 2014

A presidente Dilma Rousseff disse, nesta terça-feira, 16, em pronunciamento em Belo Horizonte, que, em 2014, o país terá insulina nas farmácias populares. "Hoje estamos participando de uma cerimônia inaugural. Não temos atualmente a insulina pronta, mas temos a certeza de que, em 2014, colocaremos a insulina em todas as farmácias populares". Dilma Rousseff participou do evento de lançamento da retomada da produção nacional de insulina humana no Brasil.

A empresa deverá começar a produzir a partir de 2014. “Às vezes, a insulina que é produzida fora do país, o transporte, a dificuldade da vinda, ou qualquer decisão estratégica da empresa de parar de produzir, poderia levar a uma insegurança do fornecimento de insulina no país”, disse o ministro.

Segundo o ministro, a maior oferta “aumenta a competição e reduz preço” do medicamento. Padilha afirmou que, com a produção nacional, o país passa a fazer parte do “seleto grupo de apenas quatro países do mundo produtores de insulina”.

“Nós queremos, além de defender a indústria nacional, trazer parceiros internacionais para produzir aqui no Brasil. Isso dá mais segurança aos pacientes brasileiros, dá sustentabilidade para o país ficar imune a qualquer oscilação internacional, qualquer mudança no câmbio, ou qualquer decisão de uma indústria de fora, do ponto de vista legítimo, de parar de produzir o medicamento”, afirmou Padilha.  

Produção

Segundo o Ministério da Saúde, a Biomm será responsável por 50% da produção de insulina distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Conforme dados da pasta, existem 10 milhões de diabéticos no país, sendo que, desse total, 1,1 milhão utilizam a insulina fornecida pelo SUS.

Em 2012, o consumo médio de medicamentos antidiabéticos na rede pública de saúde foi de aproximadamente 15 milhões de frascos NPH e 1,7 milhões de frascos de insulina (1,2 milhões de frascos do tipo NPH e 145 mil frascos da regular.

Questionado sobre qual seria o tipo de insulina que será produzida pela Biomm, o ministro afirmou que a fábrica será uma das mais modernas do mundo.

“Essa é uma insulina humana (recombinante), além disso, a Biomm terá capacidade de produzir os últimos análogos da insulina”, afirmou.  
Em janeiro deste ano, o ministro havia anunciado que o país iniciaria a produção de cristais da insulina por meio do Laboratório Farmaguinhos, da Fiocruz.

O acordo também previa a ampliação da oferta de insulina aos pacientes assistidos pelo SUS. Segundo o ministério, foram adquiridos mais 3,5 milhões de frascos do medicamento, quantidade que será entregue ao país no próximo mês de abril e poderá chegar a 10 milhões de frascos até dezembro, se necessário.

As medidas foram fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o laboratório ucraniano Indar – um dos três produtores de insulina no mundo, com quem o ministério tem acordo de transferência de tecnologia para a produção nacional do medicamento.

Na semana passada, o ministro anunciou uma série de medidas para tentar impulsionar a indústria brasileira na área da saúde. Com os novos acordos, estarão em vigor 63 parcerias entre 15 laboratórios públicos e 35 privados para a produção nacional de 61 medicamentos e seis equipamentos, dentro das denominada Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

A pasta estima que a economia gerada, quando as parcerias estiverem em pleno andamento, será da ordem de 2,5 bilhões para o ministério.

O Ministério ainda anunciou que vai colocar à disposição, como concessão de crédito, 7 bilhões a empresas brasileiras com projetos inovadores na saúde e ainda a injeção de R$ 1,3 bilhão na melhoria da infraestrutura dos laboratórios públicos.

Outra medida anunciada foi a assinatura de acordos de cooperação entre a Anvisa, o Inpi e a ABNT para a redução no tempo do processo de concessão de patentes.

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