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Jovem morre após consumir fruta típica em Parintins (AM)

Sanduíche com tucumã, o x-caboclinho (ou x-caboquinho) é tradicional no Amazonas - Alberto César Araújo/Folha Imagem
Sanduíche com tucumã, o x-caboclinho (ou x-caboquinho) é tradicional no Amazonas Imagem: Alberto César Araújo/Folha Imagem

Elendrea Cavalcante

Do UOL, em Manaus

27/08/2013 15h42Atualizada em 27/08/2013 22h05

O tucumã – fruta típica da Amazônia – pode ter sido a causa da morte de uma jovem de 17 anos no município de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus). A jovem deu entrada no hospital Padre Colombo no domingo (25), sentindo fortes dores abdominais, além de fraqueza, vômito e diarreia, mas depois de medicada, foi liberada. No dia seguinte, retornou ao hospital com o quadro ainda mais grave.

De acordo com a tia da jovem, Josy Augusta da Silva, a menina consumiu o produto na quinta-feira (22). “Ela chegou da escola e lanchou tucumã. Logo depois, começou a passar mal vomitou uma coisa meio verde. De lá para cá, passou muito mal. É muito triste e revoltante o que aconteceu com a minha sobrinha”, comentou.

A secretária de saúde de Parintins, Maria do Desterro, informou que, na manhã de segunda-feira (26), a jovem retornou ao hospital em estado mais grave. A ideia da Secretaria Municipal de Saúde de Parintins era encaminhar a jovem para Manaus, onde pudesse receber melhor atendimento, porém ela morreu após parada cardiorrespiratória.

Além da jovem, a direção do hospital Padre Colombo, em Parintins, informou que pelo menos dez pessoas deram entrada no hospital nas últimas semanas afirmando desconforto intestinal após comerem o fruto. Para evitar que outros casos ocorram, a secretaria de saúde da localidade acionou a Vigilância Sanitária para retirar o fruto de todo o comércio de Parintins.

Uma das hipóteses para explicar os casos é a intoxicação por carbureto, um composto químico muito usado por agricultores da região para fazer as frutas amadurecerem mais rápido.

Por isso, os tucumãs serão enviados para análise no Laboratório Central de Manaus. “É neste laboratório que será checado se há ou não indícios de carbureto. O resultado estará pronto em um mês", disse a secretária de saúde de Parintins, Maria do Desterro.

Na dúvida sobre a contaminação do fruto, a dona de casa Graça Almeida, 43, disse que vai retirar do cardápio do café da manhã de seu restaurante no município qualquer tipo de alimento que contenha tucumã. É que faz parte do café da manhã dos amazonenses o “X-caboquinho” – pão com queijo e tucumã fatiado.

A Prefeitura de Parintins informou que o carbureto é altamente tóxico para o consumo humano e não pode ser ingerido. E caso seja confirmada a presença do composto químico nas unidades de tucumã enviados ao Lacen, os responsáveis pelo procedimento com a fruta serão punidos.

O Centro de Informações Toxicólogicas do Amazonas informou que foi procurado pela Secretaria Municipal de Saúde de Parintins para que repassasse informações a respeito do composto químico carbureto. Segundo a atendente da central, as informações transmitidas pela secretaria não foram suficientes para uma completa análise do caso. Além disso, o serviço nunca recebeu qualquer denúncia de intoxicação pelo produto.