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Enfermeira americana com ebola viajou de avião; EUA procuram passageiros

Do UOL, em São Paulo

15/10/2014 13h55Atualizada em 15/10/2014 19h38

A mais recente profissional de saúde do Texas a ser infectada com o vírus ebola  é a enfermeira Amber Vinson, do Hospital Presbiteriano de Dallas, no Texas. A informação foi confirmada por um familiar da profissional, nesta quarta-feira (15).

De acordo com a agência de notícias Reuters, Amber tem 29 anos e chegou a pegar um um voo da Frontier Airlines de Cleveland para Dallas em 13 de outubro, um dia antes de apresentar os sintomas da infecção.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) e a empresa disseram que estão entrando em contato com todos os 132 passageiros que estavam a bordo do avião.

O CDC informou, em um comunicado, que a enfermeira não demonstrou qualquer sintoma durante o voo, de acordo com membros da tripulação.

A agência pediu a todos os passageiros do voo que entrem em contato com o CDC.

Amber apresentou quadro de febre na terça-feira (14) e foi isolada de maneira imediata no hospital. "Funcionários da área de saúde interrogaram o paciente para poder identificar rapidamente qualquer contato ou potenciais exposições, e estas pessoas serão monitoradas", afirma o CDC em um comunicado.

O CDC destacou que novas medidas estão sendo adotadas para aumentar o nível de preparação nos hospitais, incluindo o envio a Dallas de especialistas que conseguiram controlar focos de ebola na África nas últimas duas décadas.

O organismo afirmou que pretende melhorar os procedimentos para proteger os trabalhadores da área de saúde no Hospital Presbiteriano de Dallas e que os funcionários deste e de outros centros médicos receberão mais treinamento para tratar com a doença.

Amber é a segunda enfermeira do mesmo hospital a ser infectada pelo ebola.

O hospital tratou de Thomas Eric Duncan, um liberiano que foi o primeiro caso de ebola diagnostica nos EUA. Ele morreu há uma semana, e as mais de 70 pessoas que cuidaram dele no hospital estão sendo monitoradas.(Com Reuters e AFP)

Entenda o ebola

  • O que é o ebola?

    É uma doença causada por vírus, que pode ser fatal em até 90% dos casos. A morte geralmente ocorre por falhas renais e problemas de coagulação, em até duas semanas após a aparição dos primeiros sintomas.

  • Como se contrai o vírus?

    Ele é transmitido pelo contato direto e intenso com sangue e fluidos corporais (como suor, urina, fezes e sêmen, por exemplo) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados. Até o momento, não há notícias de pessoas que transmitiram o vírus antes de apresentarem os sintomas.

  • Quais os sintomas mais comuns?

    Febre repentina, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e inflamação na garganta. Depois, vômito, diarreia, coceira, deficiência hepática e renal e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação costuma ser de dois a 21 dias, ou seja, esse é o tempo que pode levar para a pessoa infectada começar a apresentar os sintomas.

  • O que é um caso confirmado?

    Um caso suspeito com resultado laboratorial positivo para o vírus ebola realizado em laboratório de referência.

  • O 1º exame negativo descartada a doença?

    Não. O descarte só é feito após dois exames laboratoriais negativos com intervalos de 48h entre eles.

  • Qualquer unidade de saúde pode colher sangue para teste?

    Não. Esta doença é de notificação compulsória imediata. O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de suspeita, a pessoa seja isolada e o ministério, acionado imediatamente para que o paciente seja levado a uma unidade de referência. Somente neste local pode ser feita a coleta de sangue.

  • Qualquer laboratório pode manipular o sangue de um caso suspeito?

    Não. Apenas um laboratório no Pará tem nível internacional de segurança 3 e, por isso, é o único credenciado pelo Ministério da Saúde para manipular e diagnosticar vírus ebola.

  • Como transportar pacientes suspeitos e/ou confirmados com ebola?

    Uma ambulância é previamente envelopada (seu interior é coberto por plástico para que não haja contato dos instrumentos com o paciente). Durante o transporte, tanto o paciente quanto a equipe médica e o motorista utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI): macacão de tyvek, protetor facial, bota, luvas, entre outros.

  • O paciente deve ser colocado na ambulância em maca-bolha?

    Não há essa indicação técnica, já que a doença não é transmitida pelo ar e os profissionais de saúde estão usando todos os EPIs indicados no protocolo.

  • O que é feito quando há confirmação de caso de ebola?

    Os pacientes devem ser mantidos isolados, em suporte intensivo, em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Todo e qualquer profissional de saúde que tiver contato com o paciente deve estar usando EPI.

  • O ebola tem tratamento específico?

    Não. Em geral os médicos recorrem a medicamentos para aliviar os sintomas, mas a cura depende do organismo do paciente. Existem apenas remédios e vacinas experimentais sendo testados no Canadá e nos EUA. O Zmapp, publicado no meio científico desde 2012, foi usado em humanos pela 1ª vez no surto atual, já que a OMS só libera o uso de medicamentos de alto risco em situações extremas.

  • Existe risco de epidemia de ebola no Brasil?

    O risco é extremamente baixo. Mesmo que haja casos confirmados isolados, a adoção de protocolos de isolamento, monitoramento e bloqueio evita a ocorrência de surto.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola, e há casos na Nigéria e no Congo. EUA, Espanha e Reino Unido levaram compatriotas infectados para tratamento em seus países.

  • Como pode ser feita a notificação de um caso suspeito?

    O Ministério da Saúde disponibilizou alguns canais para profissionais de saúde: o telefone 0800 644 6645 e o e-mail notifica@saude.gov.br. A população pode usar o número 136.

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