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Enfermeira quebra quarentena por ebola para andar de bicicleta nos EUA

30.out.2014 - A enfermeira Kaci Hickox, que prometeu desafiar a quarentena voluntária para os profissionais de saúde que trataram pacientes com ebola, deixou sua casa em Fort Kent, no Maine, para fazer um passeio de bicicleta nesta quinta-feira  - Robert F. Bukaty/AP
30.out.2014 - A enfermeira Kaci Hickox, que prometeu desafiar a quarentena voluntária para os profissionais de saúde que trataram pacientes com ebola, deixou sua casa em Fort Kent, no Maine, para fazer um passeio de bicicleta nesta quinta-feira Imagem: Robert F. Bukaty/AP

Do UOL, em São Paulo

30/10/2014 12h41

A enfermeira Kaci Hickox, 33, que prometeu desafiar a quarentena obrigatória no Maine (EUA) para os profissionais de saúde que trataram pacientes com ebola na África, deixou sua casa em Fort Kent para fazer um passeio de bicicleta nesta quinta-feira (30).

Hickox e seu namorado saíram de sua casa na manhã de hoje com suas bicicletas, seguidos pela polícia estadual que monitora seus movimentos e interações públicas. A polícia não pode detê-la sem uma ordem judicial assinada por um juiz.

Hickox alega que não há necessidade de quarentena por não apresentar nenhum sintoma. Dois testes feitos por ela para detectar a doença deram negativo. O vírus do ebola fica incubado no organismo e seus sintomas podem aparecer em até 21 dias—tempo da quarentena.

Funcionários do Estado entraram na Justiça para deter Hickox e obrigá-la a ficar reclusa durante o período de incubação de 21 dias, que termina em 10 de novembro.

Foi a segunda vez que Hickox quebrou o isolamento da quarentena. Ela deixou sua casa ontem à noite para falar com repórteres, sem poupar apertos de mãos.

"Há muita desinformação sobre como ebola é transmitido, e eu posso entender por que as pessoas estão assustadas. Mas o medo não é baseado em fatos médicos", disse Norman Siegel, um de seus advogados, na quarta-feira (29).

Hickox cuidou de doentes de ebola em Serra Leoa pela organização Médicos Sem Fronteiras, e foi a primeira pessoa forçada à quarentena obrigatória de Nova Jersey para pessoas que chegam ao aeroporto de Newark vindos dos três países da África Ocidental com epidemia de ebola: Guiné, Libéria e Serra Leoa.

A enfermeira passou o fim de semana em uma área de isolamento, em Nova Jersey, antes de viajar para a casa que ela divide com o namorado, um estudante de enfermagem da Universidade do Maine, em Fort Kent.

"Eu não estou disposto a ficar aqui e deixar que meus direitos civis sejam violados quando não são baseados na Ciência", disse ela a jornalistas ontem à noite.

(Com AP)

Saiba mais sobre ebola

  • O que é o ebola?

    A doença é causada pelo vírus ebola e, no surto atual, já matou quase a metade dos pacientes diagnosticados com a doença. Tem sintomas como febre, vômito, diarreia e hemorragia.

  • Como se contrai o vírus?

    O ebola é transmitido pelo contato direto com sangue e fluídos corporais (suor, urina, fezes e sêmen) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola. Na Nigéria houve casos da doença, mas o vírus deixou de ser ameaça no país. EUA e alguns países europeus resgataram compatriotas infectados para tratamento.

  • Quem tem mais risco de contrair a doença?

    Parentes dos pacientes e os profissionais de saúde que tratam os pacientes com ebola são os indivíduos em maior situação de risco. Mas, qualquer pessoa que se aproxime de infectados ou de seus corpos sem vida se coloca em risco.

  • O ebola tem cura?

    Não há remédio que cure o ebola propriamente. Existem apenas medicamentos e vacinas experimentais sendo testadas no Canadá, nos Estados Unidos e na África, que surtiram o efeito desejado, isto é, zeraram a carga viral dos infectados. Quem sobreviveu ao tratamento continuará sendo monitorado por um tempo.