Maconha alivia mal de Parkinson? Vídeo de paciente usando cannabis viraliza

Maria Júlia Marques

Do UOL, em São Paulo

Um vídeo de um homem usando maconha medicinal para aliviar os sintomas do Parkinson viralizou na internet e mais de 39 milhões de pessoas já o viram.

O paciente que tremia, tinha dificuldade de locomoção e fala, aplica algumas gotas de óleo de cannabis embaixo da língua e em minutos seus sintomas são aliviados. A eficácia e rapidez com que o produto funcionou despertou curiosidade se a droga é tão eficaz quanto parece.

"É possível que uma pessoa tenha se beneficiado da maconha como remédio, mas não há estudos que provam que, de modo geral, a droga é eficaz para amenizar os sintomas do Parkinson", afirma Rogério Tuma, neurologista do Hospital Sírio-Libanês.

Apesar de faltarem estudos, há pacientes que aprovam o método. "Temos pacientes que confirmam uma recuperação relativamente rápida dos tremores. Alguns, com uso regular, veem benefícios contínuos em longo prazo," explica Stuart Titus, CEO da Medical Marijuana Inc, empresa norte-americana que trabalha legalmente com produtos derivados do canabidiol, composto da maconha.

Segundo Tuma, a Academia Americana de Neurologia montou uma força tarefa para juntar todos os estudos que analisaram os efeitos de canabidiol, THC (tetraidrocanabinol) e outros compostos da maconha em pacientes com Parkinson. "O resultado mostrou que a droga não tem uma tendência de melhorar a doença ou de diminuir os sintomas," diz Tuma.

Além disso, a Academia notou que além de existirem poucas pesquisas científicas sobre o tema, as existentes estudaram poucos pacientes por um tempo muito curto, menos de seis meses, o que não garantiu respostas conclusivas.

"Realmente, esperamos ter mais evidências científicas para os médicos avaliarem como o canabidiol pode impactar positivamente pacientes com Parkinson. Coletamos os dados dos pacientes que fazem uso," diz Titus. "Vimos evidências de que o canabidiol atua como um neuro-protetor e por isso pode ajudar os pacientes", completa Titus.

"Temos que ter em mente que nem tudo que faz bem para um indivíduo vai funcionar para todos, os organismos funcionam de forma diferente", afirma Tuma. "A maconha é um complexo com centenas de substâncias que tem efeitos distintos. O correto seria estudar como cada molécula age para saber se alguma delas realmente ajuda no Parkinson", explica Tuma.

Outro ponto questionado por Tuma são os efeitos colaterais. "Quando você usa maconha em pacientes mais velhos você pode aumentar o nível de complicação, delírio, mudança de comportamento, é preciso ser cuidadoso."

Quem é o paciente do vídeo?

Reprodução
A gravação mostra Larry Smith, um homem que vive com o mal de Parkinson há 20 anos. Após esgotar os métodos convencionais de tratamento –até mesmo cirurgia no cérebro-, Smith tentou pela primeira vez usar a maconha medicinal como alternativa. A história do americano vai virar um documentário, mostrando a superação e a participação de Larry em uma corrida de bicicleta.

A cirurgia que ele fez no cérebro é para implantar um simulador profundo. "É um implante como um marca-passo colocado dentro de um agrupamento de neurônios que são alterados com o Parkinson. O aparelho faz um estímulo elétrico e incentiva a produção de dopamina, melhorando os sintomas", afirma Tuma.

De acordo com o neurologista, o aparelho pode ser ligado e desligado, e seu uso após a ingestão da maconha também pode ter ajudado na redução dos movimentos irregulares.

"Isso pode ter afetado o rápido efeito de fim dos tremores com as gotas embaixo da língua. Medicamentos sublinguais têm absorção muito rápida, mas para o agente efetivo ser absorvido e entrar no sistema nervoso deveria demorar mais que dois minutos", diz o neurologista. "Não sabemos se não combinou o simulador com as gotinhas de óleo de cannabis, é difícil precisar".

Como ter acesso ao método?

Pacientes brasileiros que queiram tentar o método precisam passar por algumas etapas. "O canabidiol pode ser prescrito para Parkinson, mas o paciente precisa de prescrição médica e aprovação de importação da Anvisa para obter o medicamento", afirma Titus.

Em novembro, a agência de vigilância sanitária aprovou uma regra que considera medicamentos a base de THC (tetrahidrocannabionol) e de canabidiol, substâncias presentes na maconha, como de venda sob controle especial.

Nos Estados Unidos, a legislação depende do Estado. Em Nova York, por exemplo, o uso da maconha de forma medicinal é liberado para pessoas afetadas por doenças graves como câncer, mal de Parkinson, esclerose múltipla ou algumas formas de epilepsia.

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