Criança morre após mãe desistir de combater câncer terminal para dar à luz

Colaboração para o UOL

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    A menina chamada Life (vida, em português) morreu nesta quarta, segundo família

    A menina chamada Life (vida, em português) morreu nesta quarta, segundo família

Um drama familiar nos Estados Unidos ganhou contornos ainda mais tristes nesta quarta-feira (20). Para dar à luz, a norte-americana Carrie DeKlyen desistiu de um tratamento contra um câncer. Ela morreu logo depois da cesariana que trouxe ao mundo a menina Life (vida, em português) Lynn DeKlyen. A triste história acaba de ganhar um novo capítulo: a morte da garotinha, com apenas 14 dias de vida.

As fortes dores de cabeça começaram em março deste ano. O casal não deu muita importância até que Carrie começasse a vomitar. Um exame no cérebro mostrou um câncer tratável. Mas outra avaliação revelou outro diagnóstico. Com sorte, a mulher, de 37 anos, poderia viver mais cinco anos.

O tumor foi removido durante a cirurgia, em abril, disse seu marido, Nick DeKlyen. Mas em menos de 30 dias, o casal recebeu duas notícias chocantes: o tumor estava de volta e ela estava grávida de oito semanas.

Eles tinham duas opções: poderiam tentar prolongar a vida de Carrie por meio de uma quimioterapia que daria um fim à gravidez ou optar pelo bebê, mas Carrie não viveria para ver a criança.

Era uma escolha dolorosa, mas óbvia para os DeKlyens: eles teriam o bebê, o sexto filho do casal. Life nasceu às 17h30 pesando 567 gramas. Carrie foi sepultada seis dias depois.

O que ninguém contava era que o sacrifício da mãe foi insuficiente: Life Lynn também morreu, 14 dias depois de seu nascimento. Sua morte foi anunciada nesta quinta-feira (21) na página do Facebook do casal.

Reprodução/Facebook
Carrie DeKlyen desistiu de manter tratamento de câncer terminal para dar vida a bebê

"É com grande tristeza e um coração completamente quebrado que eu lhes digo que a Life Lynn faleceu ontem à noite", diz o post. "Carrie agora está acalentando a menina. Não tenho explicação do porquê, mas eu sei que Jesus nos ama e algum dia saberemos. A tristeza que sentimos é quase insuportável, por favor rezem por nossa família."

Nick afirmou que sua filha quase morreu no dia 12 de setembro, no mesmo dia em que Carrie DeKlyen foi enterrada. "Eu sei que Deus pode transformar isso", disse ele na ocasião. "E eu continuarei acreditando que Life vai ficar bem."

A menina foi entregue a Nick após uma cesariana enquanto Carrie DeKlyen perdia a vida. "Isso é o que ela queria", disse ele no início do mês. "Nós amamos o Senhor. Somos pró-vida. Nós acreditamos que Deus nos deu esse bebê."

Em julho, quando o tumor voltou, os médicos disseram a Nick que tudo o que poderiam fazer era continuar tirando o fluido acumulado no cérebro de Carrie para aliviar a dor. Ela, então, foi levada de volta ao hospital da Universidade de Michigan ainda naquele mês. Ela estava gritando de dor e convulsionando. Foi a última vez que esteve consciente.

Carrie estava grávida de 19 semanas naquele momento. Os médicos disseram que fariam o que pudessem para manter a gravidez, mas Carrie provavelmente não iria acordar novamente, e, se o fizesse, não seria capaz de reconhecer a família por ter sofrido danos cerebrais significativos em razão de um acidente vascular cerebral.

Nas semanas seguinte, um tubo de alimentação e uma máquina de respiração a manteriam viva. Duas semanas depois, outro acidente vascular cerebral. O cérebro de Carrie estava tão inchado que os médicos tiveram que remover uma porção do crânio.

No início de setembro, Nick rebateu os críticos que questionaram a decisão do casal de colocar sua fé em primeiro lugar dizendo que manter a gravidez mostrava a abnegação de sua esposa. "Ela desistiu da vida pelo bebê", disse ele, acrescentando depois: "Eu só quero que as pessoas saibam que minha esposa amava o Senhor. Ela amava seus filhos. Ela colocou alguém na frente de suas necessidades. Ela colocou minha filha acima de si mesma."

Uma homenagem foi feita para Carrie em 12 de setembro na igreja Resurrection Life, em Michigan, onde a família vive. "Ela foi lembrada como uma mãe amorosa, esposa, filha e amiga que cozinhava para os vizinhos, cantava no coro da igreja, ajuda crianças no berçário e se oferecia como conselheira."

Um cartão "Em Memória" publicado na página do Facebook "Cure 4 Carrie" citava o Evangelho de João: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos".

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