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Dengue durante a gravidez aumenta chances de morte de bebê, mostra estudo

Felipe Dana/AP Photo
Imagem: Felipe Dana/AP Photo

Do UOL, em São Paulo

22/09/2017 11h53

Um estudo feito pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) da Bahia mostra que mulheres grávidas que contraem o vírus da dengue sofrem maior risco de perder o bebê. De acordo com os resultados da pesquisa, divulgados na quinta-feira (21) na revista "The Lancet", ter dengue durante a gestação quase dobra a probabilidade de perder o feto ou o bebê morrer no parto. Já a dengue severa aumenta em cinco vezes as chances de morte do feto.

Até então, entre as arboviroses (doenças transmitidas por mosquitos como o Aedes aegypti), apenas a zika era considerada letal para bebês ainda na barriga da mãe.

A nova pesquisa indica a existência de uma nova forma de letalidade da dengue. A doença era considerada letal apenas quando atingia sua forma hemorrágica, que agrava o quadro do infectado e pode causar a morte.

"Este achado é importante tanto para a formação de políticas públicas quanto para protocolos de assistência em unidade de saúde", diz Enny Paixão, pesquisadora da Fiocruz e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, em Londres, e autora principal do estudo.

Para Paixão, mulheres grávidas devem passar a ser consideradas população de risco em áreas endêmicas de dengue, necessitando de monitoramento. "Os efeitos da dengue ocorreram principalmente no momento agudo da doença, ressaltando a importância da assistência adequada para evitar o óbito fetal", afirma.

Para chegarem à nova conclusão, os pesquisadores cruzaram dados públicos de mais de 162 mil natimortos (nome dado à morte do feto acima de 500g dentro do útero ou durante o parto) e 1,5 milhão de nascidos vivos obtidos entre dezembro de 2012 e janeiro de 2016. Desse conjunto, 275 natimortos e 1.507 nascidos vivos tinham sido expostos a dengue.

A análise indicou que, entre todos os nascimentos registrados no período, a taxa de natimortos foi de 11 por 1.000 nascidos vivos. Já quando considerado apenas a amostra das mães infectadas por dengue, a taxa de incidência foi de 15 por 1.000.

Este é o primeiro estudo realizado em larga escala a demonstrar a associação entre a dengue e a morte de fetos, segundo a Fiocruz. Apenas um estudo anterior, com uma pequena amostra de um hospital, indicou a relação entre a infecção e natimorto.

Pesquisadores não sabem como dengue causa mortes de bebês

Os pesquisadores ainda não possuem uma explicação para como a dengue causaria o nascimento de natimortos. Contudo, existem algumas hipóteses. Uma delas é que os sintomas da dengue afetariam diretamente o feto. Mudanças na placenta causadas pela doença e a ação do próprio vírus sobre o bebê também são possíveis explicações para o fenômeno.

De acordo com a pesquisadora Fiocruz, a epidemia de anomalias congênitas associadas à zika ocorrida em 2015 fez com que a investigação científica se voltasse para os efeitos das infecções virais durante a gestação.

“O papel das infecções virais como precursor de efeitos adversos na gestação ainda é pouco conhecido e pesquisas nesta área precisam ser conduzidas e aceleradas”, diz Paixão.
 

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