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Com 14 anos, menino mede 2,13 metros e sofre com falta de remédio

Com 14 anos, Sérgio Gabriel Ribeiro mede 2,13 metros, mas ainda pode chegar a 2,30 metros - Arquivo Pessoal
Com 14 anos, Sérgio Gabriel Ribeiro mede 2,13 metros, mas ainda pode chegar a 2,30 metros Imagem: Arquivo Pessoal

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

28/03/2018 13h12

Um adolescente de 14 anos sofre de uma doença rara: o gigantismo. Sérgio Gabriel Ribeiro mede 2,13m de altura e calça 47. Devido à doença, o jovem faz acompanhamento no Hospital Universitário de Brasília. A mãe afirma que, dos cinco remédios que Sérgio Gabriel deve tomar sempre, a maioria está frequentemente em falta na rede pública. 

Sérgio mora com a mãe, a dona de casa Ricardene Ribeiro, 52. A mulher é viúva e cria dois filhos com os R$ 954 que recebe de pensão do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Com dificuldades financeiras, a mãe escolhe a cada mês qual o medicamento vai comprar. Segundo Ricardene, o menino até tenta levar uma vida normal, mas sofre de constantes desmaios e fortes dores de cabeça.

A Secretaria da Saúde do DF diz que apenas um dos cinco medicamentos não tem sido distribuído. 

Os médicos descobriram a doença do garoto quando ele tinha cinco anos. Segundo especialistas, o gigantismo ocorre quando há um excesso de hormônio do crescimento no corpo. Essa substância, que é produzida na região cerebral, existe em quantidades variáveis ao longo da vida. Exames indicam que Sérgio pode atingir uma altura de até 2,30 m.

A mãe do garoto conta que sua saúde é delicada. ''É que o excesso de hormônios causou um tumor, do tamanho de um limão, no cérebro do meu filho. Ele teve que fazer uma cirurgia, para a retirada dos edemas, e perdeu a visão do olho esquerdo", explica a dona de casa.

A cirurgia não conseguiu retirar todo o tumor, e o adolescente espera o resultado de exames para saber se terá de passar novamente por uma operação.

"Quando eu tinha nove meses, tinha porte de dois anos. Me acostumei a ter esse tamanho. O que não quero mais mesmo é ser internado de novo. É muito chato, sabe?", diz o adolescente.

O excesso de hormônios causou um tumor do tamanho de um limão no cérebro de Sérgio, que teve que passar por cirurgia - Arquivo pessoal
O excesso de hormônios causou um tumor do tamanho de um limão no cérebro de Sérgio, que teve que passar por cirurgia
Imagem: Arquivo pessoal
 

Sem ônibus escolar

A família vive há dois anos no Paranoá Parque, região que fica a 27 km de Brasília. Sérgio estuda no CEF 02 do Paranoá, que fica na entrada da cidade. Sem acesso ao ônibus escolar e com poucos recursos, a família gasta com o deslocamento até a escola. Em dias em que não há dinheiro para a passagem, Sérgio falta à aula.

"O dinheiro é pouco, os gastos são além do que posso ter. As roupas não duram, os remédios são muitos. Eu tenho diabetes, também preciso de remédios", disse.

Secretarias negam falta de atendimento

O UOL entrou em contato com a Secretaria de Saúde para saber o motivo de Sérgio não conseguir os medicamentos. Em nota, a pasta afirma que apenas um dos remédios de que o adolescente precisa está em falta. De acordo com a secretaria, no processo de compra, não houve fornecedores interessados. Uma nova licitação teria sido aberta.

A secretaria, no entanto, não respondeu o nome do remédio e nem a data em que foi aberta a nova licitação. 

A Secretaria de Educação informa que Sérgio Gabriel possui a carteirinha do ensino especial, que dá direito ao transporte público gratuito. A pasta esclarece ainda que o aluno pode solicitar o transporte especial na escola, e diz que isso nunca foi feito.

A mãe do aluno alega, no entanto, que tentou o caminho indicado pela Secretaria de Educação, mas que recebeu da unidade de ensino a informação de que ele só teria direito ao ônibus escolar se fosse cadeirante.

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