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Adolescente diagnosticado com sarampo no DF tomou vacina duas vezes

Adolescente faz parte de minoria que não produz anticorpos depois de receber vacina - Getty Images
Adolescente faz parte de minoria que não produz anticorpos depois de receber vacina Imagem: Getty Images

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

04/10/2018 16h18

O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de sarampo no Distrito Federal em 2018. O diagnóstico foi feito em um adolescente de 16 anos, que contraiu o vírus em Manaus, onde esteve durante todo o mês de julho. O menino foi diagnosticado com a doença mesmo depois de ter recebido as duas doses da vacina.

Ao UOL, a subsecretária de Vigilância à Saúde do Distrito Federal, Maria Beatriz Ruy, disse que o paciente faz parte de uma pequena parte da população que não produz anticorpos mesmo depois de vacinada.

Ele viajou à capital amazonense no começo de julho e chegou a apresentar os primeiros sintomas – febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, dificuldade de olhar para a luz e lacrimejamento – já durante a viagem. O adolescente, então, procurou um médico, mas foi medicado e liberado em seguida. No entanto, ao retornar ao estado onde morava, apareceram os exantemas, as manchas na pele de coloração avermelhadas. Novamente atendido, ele foi curado e não apresentou nenhuma complicação posterior.

De acordo com Alfredo Elias Cilio, coordenador da Clínica de Imunização do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em condições normais, a primeira dose de uma vacina imuniza de 95% a 98% das pessoas que recebem os anticorpos. A segunda dose serve para sanar esse pequeno número que falta, explicou o especialista. "No entanto, ainda depois da última aplicação, um número muito pequeno de pessoas segue sem produzir anticorpos. Isso acontece com qualquer vacina, mesmo as de alta capacidade de imunização, como é a do sarampo", afirmou.

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Este número, entretanto, não é tão significativo caso a cobertura vacinal seja muito alta. "Por exemplo, se uma pessoa viaja e contrai sarampo, mas 95% da população está vacinada, a doença não será passada à frente e ficará somente neste primeiro paciente", disse Elias. "Por isso é tão importante seguir e manter por um elevado período de tempo a meta estipulada pelo Ministério da Saúde de vacinar pelo menos 95% da população."

Além de uma predisposição à não-imunização por meio da vacina, uma pessoa pode não produzir anticorpos caso as doses sejam estocadas ou preparadas de maneiras inadequadas.

Vacinação abaixo da meta

A vacinação contra sarampo no Distrito Federal se encerrou no dia 22 de setembro, data limite determinada pelo Ministério da Saúde, A campanha conseguiu atingir 90,36% da população de crianças entre um e quatro anos. Este número, no entanto, está abaixo da meta do ministério, que é de pelo menos 95%.

Segundo Maria Beatriz, o último caso confirmado no Distrito Federal foi em 2013, também importado, isto é, contraído durante uma viagem. No momento, não há nenhum outro caso suspeito na região. "Em contato com as redes pública e privada, estamos acompanhando desde o início do ano possíveis casos. Antes desta primeira confirmação, outros 68 pacientes foram observados, mas nenhum teve o diagnóstico de sarampo comprovado", completou a subsecretária.

Sarampo no Brasil

De acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, do início do ano até 1º de outubro, foram registrados 1935 casos de sarampo no país. Atualmente, existem dois surtos: no Amazonas, com 1.525 casos confirmados e 7.873 em investigação, e em Roraima, com 303 diagnósticos e outros 101 pacientes em averiguação. A pasta informa ainda que os dois cenários estão relacionadas com a importação do genótipo do vírus (D8) que circula na Venezuela, onde há epidemia da doença desde 2017.

Além do Distrito Federal e desses dois estados, também foram registrados três casos em São Paulo, outros três em Rondônia, quatro em Pernambuco e também em Sergipe, 14 no Pará, 18 no Rio de Janeiro e 33 no Rio Grande do Sul. Estes diagnósticos são casos importados ou isolados da doença.

Neste ano, dez pessoas já morreram de sarampo, sendo quatro em Roraima (três estrangeiros e um brasileiro), quatro no Amazonas (todos brasileiros) e dois no Pará (indígenas venezuelanos).

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