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Estudo sugere que a cobra é o hospedeiro de coronavírus na China

Uma foto divulgada pelo Hospital Central de Wuhan mostra a equipe médica atendendo o paciente infectado com o coronavírus - Reuters
Uma foto divulgada pelo Hospital Central de Wuhan mostra a equipe médica atendendo o paciente infectado com o coronavírus Imagem: Reuters

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

23/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Coronavírus já causou mortes na China e tem casos relatados em outros países
  • Cobra seria um receptor natural do vírus, indica estudo no Journal of Medical Virology

Um estudo publicado ontem por cientistas chineses indica que a nova cepa do coronavírus foi provavelmente transmitida ao homem pela carne de cobra. Segundo o estudo publicado no Journal of Medical Virology, o animal —vendido com outros bichos em um mercado público na cidade de Wuhan— era o hospedeiro de uma combinação de dois tipos de coronavírus.

O surto ultrapassou as fronteiras da China e já foi identificado na Tailândia, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

A equipe formada por cinco cientistas realizou o sequenciamento genético do vírus e comparou com as informações genéticas do coronavírus de diferentes lugares do mundo e espécies hospedeiras. A conclusão é que o o 2019-nCoV se formou a partir de uma combinação de um coronavírus encontrado em morcegos com outro coronavírus de origem desconhecida.

O vírus resultante adaptou uma proteína que conseguiu se ligar aos receptores das células hospedeiras de uma espécie de cobra não especificada pelo estudo.

"Os resultados derivados de nossa análise evolutiva sugerem pela primeira vez que a cobra é o reservatório de animais silvestres mais provável para o 2019-nCoV", escreveram os autores. "Novas informações obtidas a partir de nossa análise evolutiva são altamente significativas para o controle eficaz do surto causado pela pneumonia induzida por 2019-nCoV."

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Receptor natural

Infectologista e professora na Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Nancy Bellei teve acesso ao estudo. Ela explicou ao UOL que, ao acessar um banco de dados, os médicos compararam as sequencias genéticas da nova cepa com as de ancestrais desse coronavírus. "O entendimento desse estudo é que uma mistura de coronavírus de morcego com outro coronavírus resultou em outra cepa, e a cobra é o receptor natural."

Ela lembra que "a cobra é uma iguaria que os chineses compram nesses mercados para se alimentar". Ela diz, no entanto, que a certeza de que a cobra é o reservatório do vírus depende de outras "confirmações experimentais".

"Esse fenômeno já havia sido encontrada na Sars [Síndrome Respiratória Aguda Grave]", diz Nancy. "Um coronavírus encontrado em um morcego se adaptou por mutações a um felino e depois às células humanas."

Ela diz que esses receptores "são glicoproteínas que ficam na superfície das células humanas desempenhando funções fisiológicas". "O que ocorreu é que o coronavírus se adaptou ao receptor e entrou na célula. O vírus vai mudando aleatoriamente e de repente consegue entrar na célula. Eles precisam invadir um hospedeiro para sobreviver."

A professora diz ainda que os anticorpos que podem atacar o vírus também ficam nas glicoproteínas. "Identificar onde ocorre essa mutação é importante para se pensar em uma vacina e para melhoria de diagnóstico."

De acordo com os autores, mesmo que o controle do surto dependa do desenvolvimento de vacinas e medicamentos antivirais eficazes, os remédios atualmente licenciados devem ser testados contra a nova cepa do coronavírus.

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