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Coronavírus ocupa telefones do Samu do DF, que indica 136 para tirar dúvida

Capacitação de servidores do Samu no manejo de pacientes com o novo coronavírus - Márcio James/Semcom
Capacitação de servidores do Samu no manejo de pacientes com o novo coronavírus Imagem: Márcio James/Semcom

Do UOL

Em Brasíila

19/03/2020 13h40

Chefe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no Distrito Federal, o médico pediatra Alexandre Garcia Barbosa, 49, pede que a população pare de acionar o telefone do serviço apenas para tirar dúvidas sobre o novo coronavírus.

"O Samu recebia, antes da pandemia, cerca de 2 mil ligações por dia e fazíamos cerca de 200 envios de viaturas. Agora houve aumento de 30% dessas ligações e não o aumento de envio de viaturas. O que está havendo é um 'tira-dúvidas'. As linhas estão ficando ocupadas", disse Barbosa.

São dúvidas assim: "estou com febre e estou tossindo, o que devo fazer?' Ou então 'denúncias': 'Meu vizinho está com suspeita porque ele chegou da Europa e eu pego elevador com ele, vi ele tossindo, o que eu devo fazer?' Muita demanda de pessoas preocupadas com a atual situação da pandemia.

O Samu é voltado principalmente para socorros de emergência, como vítimas de acidentes de trânsito, tiros, facadas, afogamentos.

No Distrito Federal, o serviço atende cerca de 3 milhões de habitantes em Brasília, incluindo a Esplanada dos Ministérios e as quadras residenciais do Plano Piloto, e nas cidades-satélite.

Quando o Ministério da Saúde começou a divulgar os números do Brasil e do mundo, as pessoas começaram a ficar ansiosas. No último fim de semana o sistema chegou à congestão só com pacientes tirando dúvidas sobre o coronavírus. Existem muitos canais para os usuários tirarem dúvidas. Deixa o [telefone do SAMU] 192 para aquele paciente que está muito doente e precisa de um recurso.

O Governo do DF e o Ministério da Saúde disponibilizaram outras linhas telefônicas como tira-dúvidas: o 136 (Ministério da Saúde), o 156 (Secretaria Estadual de Saúde), o 193 (Corpo de Bombeiros) e o 199 (Defesa Civil). Até o telefone de emergência 190 da Polícia Militar, quando surge a "palavra mágica, coronavírus", segundo Barbosa, pode desviar a chamada para atendentes informados sobre o assunto.

Um choque entre dois trens do metrô do Recife feriu ao menos 33 pessoas nas primeiras horas desta manhã. Os feridos foram levados pelo Samu para três unidades de pronto atendimento da capital pernambucana e não relatos de pessoas em risco de morte - BRUNO LAFAIETE /CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO - BRUNO LAFAIETE /CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
Samu presta atendimento de emergência após acidente no metrô de Recife
Imagem: BRUNO LAFAIETE /CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Samu adota medidas para proteger socorristas

Para os deslocamentos dos pacientes já diagnosticados com Covid-19, o Samu tem adotado cuidados específicos a fim de evitar a contaminação dos servidores.

Os membros da equipe usam os EPIs (equipamentos de proteção individual): luvas, máscaras, óculos e capotes. Depois que o paciente é entregue ao destino, todos os EPIs são descartados, colocados num saco de lixo e depositados num recipiente próprio dentro da unidade hospitalar. Os carros passam por higienização e ventilação, processo que dura de 40 minutos a uma hora.

O Samu tem longa experiência no transporte de pacientes portadores de outras doenças graves ou vítimas de traumas, com muito sangue espalhado nos veículos de socorro, de modo que esse procedimento não é uma novidade para os servidores do órgão, segundo Barbosa.

Mesmo assim, em se tratando do Covid-19, um vírus novo que se alastra com rapidez, há um clima de apreensão a cada deslocamento.

Temos familiares, esposa, filhos, temos medo de levar o vírus para casa. Somos seres humanos. Gera um pouco de ansiedade no servidor.

O chefe do SAMU concorda com as medidas mais restritivas de movimentação da população como a melhor prevenção contra a disseminação da doença. "Tem que minimizar a aglomeração. Na minha opinião [as restrições] foram uma decisão acertada. Ela é radical porque coloca em isolamento domiciliar as famílias. O que não pode é ver isso como oportunidade como passeio ou viagem. Deve ficar em casa", disse Barbosa.

O médico disse ter esperança de que a crise seja superada até junho, no cenário mais otimista, e que cabe aos profissionais de saúde recolher da crise os ensinamentos para o futuro.

Ela vai servir como uma lição, porque tenho mais de 20 anos de medicina e ainda não tinha aparecido uma pandemia. Vai nos orientar para a próxima.

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