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Coronavírus

Por que o Brasil enviou respiradores e máscaras para a Itália se falta aqui

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

24/03/2020 21h26Atualizada em 24/03/2020 21h26

Em meio ao avanço do novo coronavírus no país, o governo brasileiro autorizou a exportação de cerca de 50 ventiladores pulmonares, aparelhos utilizados em UTIs, e 2,5 milhões de máscaras à Itália.

A notícia chamou a atenção diante dos esforços para garantir o abastecimento do sistema de saúde nacional. Uma das principais medidas do governo foi justamente proibir a exportação desse tipo de produto, assim como outros considerados essenciais para o atendimento ao surto da doença.

O envio dos materiais foi confirmado pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Luigi Di Maio, e também por autoridades brasileiras. A Itália é um dos principais focos do coronavírus na Europa, onde já foram registrados 63 mil casos e mais 6 mil mortes.

O Brasil tem 2.201 casos confirmados oficialmente e 46 mortes.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que chegou a consultar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a liberação dos lotes exportados.

"Esta semana eu passei um drama. A Itália tinha comprado máscaras aqui no Brasil. Eram 2 milhões de máscaras. Eles estão literalmente sem máscaras, sem médicos, sem enfermeiros, morrendo, se contaminando por falta de EPI", afirmou o ministro.

"Consultei o governo, o presidente Bolsonaro. Antes de mais nada, somos cristãos, nós não dormiríamos com a consciência no lugar. Já tinham comprado, tinham pago, contavam com ela, é o suficiente para abastecê-los por um dia. Por mais que seja duro, nós autorizamos, porque é o que nós temos que fazer, foi assim que nós fomos ensinados, fomos educados, fomos criados, então é assim que nós vamos proceder também nesse quesito", disse Mandetta, anteontem.

Além das razões humanitárias citadas pelo ministro da Saúde, o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis, afirmou hoje que o governo espera com a atitude obter reciprocidade do governo italiano.

Gabbardo disse que, neste momento, a Itália indica estar no pico do número de casos e que a tendência esperada é que a epidemia avance mais devagar nos próximos meses. Já o Brasil, segundo Gabbardo, ainda não atingiu o pior momento da crise. Por isso, seria possível à Itália enviar equipamentos ao país no futuro caso seja necessário. "A Itália está numa situação muito, muito mais difícil que a nossa."

Estamos liberando para a Itália, quem sabe a Itália possa depois nos ajudar
João Gabbardo dos Reis, secretário-executivo da Saúde

Segundo Gabbardo, o governo italiano procurou o Ministério da Saúde para pedir pela liberação da exportação dos equipamentos. O governo do país europeu já tinha fechado o contrato e efetuado o pagamento à empresa brasileira responsável pelo envio dos materiais.

"O ministro da Saúde da Itália fez um apelo para o ministro Mandetta para que liberasse, porque a Itália está numa situação muito, muito mais difícil que a nossa", disse Gabbardo.

Produção nacional a "todo vapor

Agora, além de ter proibido as exportações, o Ministério da Saúde está comprando toda a produção nacional de máscaras e respiradores mecânicos.

"O governo pediu que, durante os próximos 180 dias, toda a produção dos ventiladores seja direcionada ao governo com garantia de compra e incentivou que as empresas aumentassem suas produções dentro do limite máximo", afirma o superintendente da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), Paulo Henrique Fraccaro.

O representante da indústria de equipamentos médicos diz acreditar que as empresas nacionais têm capacidade de atender a demanda do governo por equipamentos para fazer frente à epidemia do coronavírus.

"Pelo que entendi do governo, a produção nacional atenderá a expectativa que ele tem para essa crise", diz Fraccaro. "As empresas estão trabalhando a todo vapor, aumentaram sua capacidade produtiva, pararam as exportações que estavam programadas e tudo que vai ser feito é para atender nosso mercado", afirma o superintendente da Abimo.

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