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Aos 91, idosa recuperada da covid-19 se emociona ao voltar para casa no PI

Yala Sena

Colaboração para UOL, em Teresina

18/04/2020 17h25Atualizada em 18/04/2020 17h25

Após 16 dias internada, a trabalhadora rural Francisca Rodrigues de Sousa, 91 anos, teve alta do hospital público Monte Castelo, em Teresina (PI), nesta sexta-feira (17), depois de ser diagnosticada com a covid-19.

Ao retornar para casa no bairro Mocambinho, zona norte da cidade, Francisca Rodrigues, se emocionou, fez uma oração e pediu que as pessoas usem máscaras e fiquem em casa durante a pandemia do novo coronavírus. O Piauí registra, segundos dados oficiais de hoje, 9 óbitos, 123 confirmações da doença e 63 altas médicas.

A técnica de enfermagem, Francisca das Chagas de Sousa, 49 anos, filha de Francisca disse que a mãe chorou ao retornar para casa ontem por volta das 18h.

"Ela se emocionou, chorou e disse: 'graças a Deus estou em casa, não queria morrer no hospital". A filha informou ainda que a mãe está bem, não teve problema respiratório e que está com uma tosse, mas é um incômodo antigo.

Francisca é mãe de 14 filhos — três filhas são técnicas de enfermagem e uma, enfermeira que trabalha em São Paulo.

Ao sair do hospital em Teresina, Francisca foi aplaudida pela equipe médica: "Vou pra casa agora, morrendo de paixão" - Ascom/Prefeitura de Teresina - Ascom/Prefeitura de Teresina
Ao sair do hospital em Teresina, Francisca foi aplaudida pela equipe médica: "Vou pra casa agora, morrendo de paixão"
Imagem: Ascom/Prefeitura de Teresina

Aplausos

Ao sair do hospital em Teresina, Francisca foi aplaudida pela equipe médica. Bem-humorada, ela apareceu em um vídeo ao lado do médico dizendo: "Vou pra casa agora, morrendo de paixão". Em seguida ela questiona: "Falei mal?" e o médico responde: "Está ótima", e ela brinca: "Eu tô bonita?".

A simpatia de Francisca cativou a equipe desde o início da internação. A médica intensivista, Ana Tecla Andrade Correia Lima, diretora clínica do Hospital do Monte Castelo, disse que a paciente sempre esteve lúcida e alto astral. Ela é diabética, hipertensa e tem cardiopatia leve. A paciente foi tratada em um leito específico para a covid-19 e não precisou ir para a UTI.

Ela deu entrada no hospital no dia 2 de abril com dispneia (falta de ar), tosse e sem febre. A equipe colheu material e o resultado deu positivo para a covid-19. Segundo a médica, a paciente foi tratada com uso de antibiótico terapêutico e hidroxicloroquina associada a azitromicina.

"Todos os protocolos foram respeitados e ela teve uma evolução benigna chegado a ter alta. A paciente estava com respiração espontânea, sem tosses e febre. Ficará em casa em isolamento social e se voltar os sintomas retornará ao hospital", disse a médica.

Os bons resultados da paciente, segundo a médica, deram esperança à equipe que trabalha no hospital.

"Deu um gás em toda equipe e mostra que temos condições de vencer essa doença. A alta da paciente se deve a todo um contexto:o hospital está preparado, a equipe, capacitada, tem medicação, usamos os protocolos do Ministério da Saúde e tivemos uma boa resposta da paciente", disse a médica.