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8 meses

Com 220 mil mortes, Bolsonaro critica isolamento: 'povo brasileiro é forte'

Hanrrikson de Andrade e Allan Brito

Do UOL, em Brasília, e colaboração para o UOL, em São Paulo

28/01/2021 12h02Atualizada em 28/01/2021 15h12

Em meio à alta de casos e mortes por covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar medidas de isolamento e a insinuar que quem tem coragem não precisa respeitar a quarentena. Ele afirmou hoje que o povo brasileiro é "forte" e "não tem medo do perigo". O Brasil ultrapassou ontem a marca de 220 mil mortes pelo coronavírus desde o início da pandemia.

Na visão do governante, que está na contramão de especialistas em saúde e autoridades de vigilância sanitária, apenas "idosos" e pessoas "com comorbidade" devem ficar em isolamento. "O resto tem que trabalhar", declarou ele, na manhã de hoje, durante cerimônia alusiva à liberação do tráfego na ponte sobre o Rio São Francisco, entre Alagoas e Sergipe.

Bolsonaro se dirigiu aos governadores e, assim como em várias oportunidades anteriores, criticou a política de "fechar tudo e ficar em casa".

Faço um apelo aos governadores. É minha opinião, não estou dizendo se está certa ou errada. A política de fechar tudo e ficar em casa não deu certo. O povo brasileiro é forte. O povo brasileiro não tem medo do perigo. Nós sabemos quem são os vulneráveis, os idosos e com comorbidade. O resto tem que trabalhar.
presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

O discurso bolsonarista contra a quarentena como forma de desacelerar o contágio vem se repetindo desde o início da pandemia, no primeiro semestre do ano passado. Depois de atingir um pico de casos e mortes, os números começaram a retrair no ano passado e, aos poucos, estados e municípios foram flexibilizando regras.

No entanto, a curva (principalmente de óbitos) voltou a subir em dezembro de 2020 e a crescer com maior intensidade em 2021, após as festas de fim de ano. Mais uma vez, a necessidade de medidas restritivas está em discussão, e várias cidades estão promovendo o aperto da quarentena e até mesmo lockdown para tentar conter a pandemia.

"O apelo que faço é para que reformulem essa política e entendam que isolamento, lockdown e confinamento nos leva para miséria. A economia anda de mãos dadas com a vida. Vida sem recursos e empregos torna-se muito difícil", disse o presidente hoje.

De acordo com o Ministério da Saúde, ontem foram registrados 1.319 óbitos no Brasil por covid-19. A média móvel de 7 dias está em 1.049 mortes a cada 24 horas. O total de casos registrados oficialmente é de 9 milhões. As informações são do consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte.

Vacinação

No discurso sobre a pandemia, Bolsonaro também se orgulhou da vacinação contra covid-19, embora ele mesmo já tenha questionado várias vezes, sem provas, a eficácia dos imunizantes. Sem dar detalhes ou prazo, ele prometeu imunizar a população rapidamente.

"Sempre disse: 'depois que passar pela Anvisa, a gente compra a vacina, seja ela qual for'", disse o presidente, que no ano passado, chegou a dizer que não compraria vacinas da China, como a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac. Esse acabou sendo o primeiro imunizante aprovado no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"A Europa e países da América do Sul não têm vacina e sabemos que a procura é grande. Assinamos convênios, fizemos contratos e compromissos desde setembro do ano passado com vários laboratórios. Vacinas começaram a chegar e vão chegar para toda população em curto período de tempo", discursou Bolsonaro.

Atualmente, o Brasil tem acordos assinados apenas com a Sinovac, via Butantan, e com a AstraZeneca, que produz a vacina em parceria com a Universidade de Oxford e a Fiocruz.

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