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Surto de dengue assusta cidade do interior de SP em meio a aumento de covid

Dedetização nas escolas de Cafelândia (SP) - Divulgação
Dedetização nas escolas de Cafelândia (SP) Imagem: Divulgação

Daniel César

Colaboração ao UOL, em Pereira Barreto (SP)

13/03/2021 04h00

Os moradores de Cafelândia, cidade de 17 mil habitantes no interior de São Paulo (a 411 km da capital), enfrentam um surto de dengue em meio à alta de casos no estado de covid-19.

Desde janeiro deste ano, houve mais casos da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti na cidade do que pelo novo coronavírus. São 596 casos de dengue contra 577 registros confirmados de covid-19.

Mapa Cafelândia, SP - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

O número de infectados por dengue tem crescido desde dezembro do ano passado. "Eu nunca vi nada assim, peguei dengue em janeiro e achei que fosse o 'corona'", conta Maria da Conceição, 54.

As dores no corpo e na cabeça eram terríveis. Eu não conseguia sair da cama.
Maria da Conceição, que confundiu dengue com covid

nebulizacao - Divulgação - Divulgação
Nebulização nas ruas de Cafelândia (SP)
Imagem: Divulgação
O médico Carlos Araújo explica que os sintomas podem realmente confundir. "Um hemograma de quem está com covid-19 ou com dengue pode vir semelhante", afirma.

A diferença básica está em outros sintomas e na evolução de cada doença. Um diagnóstico preciso é fundamental.

Dengue depois da covid

Uma funcionária da Prefeitura de Cafelândia, que não quis ter o nome revelado, teve as duas doenças. Em outubro do ano passado, se contaminou com o coronavírus, mas não precisou ficar internada.

"Eu senti muita falta de ar, mas consegui lidar bem com a situação, sem precisar ser internada, graças a Deus", diz a mulher de 35 anos. Mas até hoje conta não ter recuperado o olfato.

Em fevereiro, ainda em recuperação, pegou dengue. "Eu achei que era uma reinfecção, porque foi muito forte. Mas me diagnosticaram com dengue", afirma. Passou os 17 dias seguintes de molho novamente, em casa.

Casos de dengue na cidade

  • Janeiro - 209
  • Fevereiro - 352
  • Março (até o dia 12) - 33

A prefeita Taís Contieri (Podemos-SP) diz que o momento é delicado. "A equipe da Vigilância Sanitária diz que o trabalho das equipes de combate à dengue ficou prejudicado" devido às medidas de restrição de circulação.

O município teve de conviver com restrições rígidas por estar dentro da região de Bauru, com índices ruins desde fevereiro. O governador João Doria (PSDB-SP) anunciou, para todo o estado, a fase emergencial a partir de segunda-feira (15) por ao menos duas semanas.

"Tivemos muitos períodos na fase vermelha. Os agentes não puderam ir às casas pelo risco de propagação. A visita da equipe não é apenas instrutiva. Eles olham se há criadouros e tiram as larvas, quando encontradas", afirma.

A prefeita diz que o problema é anterior a ela assumir o mandato, em janeiro. "Esse trabalho de prevenção costuma ser feito no período de seca, entre setembro e novembro, para que, quando venha a chuva, não haja o foco."

Conta ter tomado medidas para minimizar a questão. "A primeira medida de urgência foi a nebulização porque tínhamos uma quantidade grande de mosquitos. Contratamos uma empresa que fez o trabalho por 30 dias", diz. Além disso, aumentou o número de agentes, totalizando 26 pessoas agora na equipe.

Ainda que o número de casos de dengue assuste a população, a letalidade não pode ser comparada com a da covid. Ninguém morreu de dengue, apesar do surto. Em comparação, 22 pessoas já faleceram com covid desde março do ano passado —nove delas só neste ano.

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