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Sputnik: Fundo russo rebate Anvisa e diz que não há adenovírus replicante

Russos garantiram que não foram encontrados "adenovírus competente para replicação" nos lotes produzidos - Reprodução/Divulgação
Russos garantiram que não foram encontrados "adenovírus competente para replicação" nos lotes produzidos Imagem: Reprodução/Divulgação

Colaboração para o UOL

27/04/2021 21h12

Em uma declaração conjunta divulgada hoje, o Centro Gamaleya e o fundo russo responsável pela vacina Sputnik V rebateram os motivos apresentados pela Anvisa (Agência da Vigilância Sanitária) para rejeitar a importação e o uso do imunizante pelo Brasil. Entre outras questões, afirmaram realizar controles de qualidade rigorosos, e garantiram que "nenhum adenovírus competente para replicação" foi encontrado nos lotes produzidos.

"Apenas os vetores adenovirais não replicantes do tipo E1 e E3, que são inofensivos para o corpo humano, são usados na produção da vacina Sputnik V", diz a nota.

Ontem, ao informar a decisão, o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, demonstrou preocupação com a possibilidade de que o imunizante seja prejudicial à saúde humana devido ao tipo de vírus usado na fabricação. Segundo Mendes, isso seria "uma não conformidade grave" que está em "desacordo com o desenvolvimento de qualquer vacina de vetor viral".

De acordo com a Anvisa, essa característica pode acarretar infecções em seres humanos, causando até danos e óbitos, principalmente em pessoas com baixa imunidade e problemas de saúde. A agência disse também que, com os dados que obteve, ficaram muitas "incertezas" em relação à segurança e eficácia da vacina. Especialistas brasileiros elogiaram a decisão da Anvisa.

Para os russos, porém, as justificativas "não têm embasamento científico" e não devem ser tratadas com seriedade, nem pela comunidade científica, nem entre os reguladores internacionais. Nas explicações, o fundo russo e o instituto Gamaleya dizem que a qualidade e segurança são garantidas porque a Sputnik V "usa uma tecnologia de purificação de 4 estágios" o que permite obter um produto sem adenovírus replicantes ou qualquer outro aditivo.

Hoje, o CEO do fundo russo, Kirill Dmitriev, já havia dito que a agência brasileira mentiu e não foi profissional na decisão. Por videoconferência, disse à imprensa que, para eles, "essa situação é muito estranha" e que a única coisa que eles poderiam fazer é "desmentir essas informações."

O documento em que rebate a Anvisa traz, ainda, a justificativa de que a vacina já é usada em 61 países, com uma população total de mais de 3 bilhões de pessoas. Para atestar a eficácia, traz resultados de estudos da Hungria, México e Argentina. Os russos dizem, ainda, que a Anvisa teve acesso a todos os documentos relevantes durante visita a Moscou.

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