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Vacina escorre e mulher teme não ter sido imunizada; Curitiba nega falha

Silvana Ferraz teme não ter sido imunizada após vacina escorrer pelo braço em Curitiba - Arquivo pessoal
Silvana Ferraz teme não ter sido imunizada após vacina escorrer pelo braço em Curitiba Imagem: Arquivo pessoal

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

29/07/2021 04h00

A diarista Silvana Ferraz, 49, teme não ter sido imunizada corretamente contra a covid-19. Ela relata que parte da dose aplicada escorreu no seu braço durante a aplicação em um posto de saúde de Curitiba.

A prefeitura nega que tenha havido falha na imunização e argumenta que pequenos vazamentos são previstos. Segundo o PNI (Plano Nacional de Imunização), extravasamentos de até três gotas não comprometem a imunização. A família de Silvana argumentou contudo que não é possível precisar o volume vazado.

De acordo com Silvana, a aplicadora da vacina também notou que o líquido estava escorrendo.

Quando [a aplicadora] tirou a agulha, eu percebi escorrendo e ela disse que escorreu um pouquinho mesmo. Eu disse que nunca vi isso, de vacina escorrer. Depois, notei que não estava certo, porque a dose já é pequena."
Silvana Ferraz, diarista

No mesmo dia em que foi vacinada, ela chegou a retornar ao posto para questionar o procedimento. Segundo Silvana, uma enfermeira a orientou a buscar a Prefeitura de Curitiba para fazer um teste de anticorpos e, caso necessário, tomar uma nova dose.

A testagem identifica a presença de anticorpos contra covid-19 após infecção natural ou vacinação. A Prefeitura de Curitiba afirma que não é recomendável fazer testes de anticorpos para saber se a vacina foi realmente aplicada, porque eles "não são capazes de avaliar corretamente a resposta imunológica e verificar se houve imunização".

Desde então, Silvana abriu dois protocolos de atendimento no Disque 156, central de atendimento do município. O primeiro é de 26 de junho, data da aplicação da vacina, e o segundo, do dia 13 deste mês.

A prefeitura diz que o primeiro protocolo foi respondido dois dias depois, explicando que a dose aplicada foi suficiente para a imunização.

"Em seguida, a usuária questionou sobre a necessidade de realização de teste. E, no dia 20/07, a Secretaria Municipal da Saúde enviou nova resposta orientando que não há recomendação para realização de teste, reforçando as orientações já realizadas anteriormente."

A prefeitura confirma que nova reclamação foi protocolada no último dia 13, com o mesmo tema e pedindo novamente a realização de teste. "Este protocolo especificamente ainda não foi respondido, pois ainda está em trâmite", diz a administração municipal.

Silvana por sua vez nega os contatos e afirma que só recebeu uma resposta efetiva ontem, por meio de nota no Twitter, e minutos depois do mesmo texto ser enviado ao UOL.

O que diz o PNI

Em nota enviada ao UOL, a Prefeitura de Curitiba disse que o extravasamento relatado por Silvana foi do líquido que fica no "canhão da seringa ou do interior da agulha" e que tal volume está dentro do previsto pelo PNI (Plano Nacional de Imunização).

O PNI avalia que qualquer vazamento é um erro, mas caso seja de até três gotas não compromete a imunização. O plano também afirma que as doses têm "um excesso de antígeno como margem de erro". Vazamentos que excederem três gotas devem ser avaliados "caso a caso" para que a dose seja reaplicada.

Bruna Ferraz, filha de Silvana, questiona a resposta da prefeitura e afirma não crer, mais de um mês após a vacinação, que a aplicadora saiba precisamente a quantidade que vazou.

Como as enfermeiras orientaram ela a buscar a prefeitura, eu acredito que vazou além de três gotas. Se eles tivessem dado essa resposta logo, eu podia confiar, a memória estaria fresca. Mas agora, um mês depois? Como ela lembra da minha mãe, como saber se é o mesmo caso?"
Bruna Ferraz, filha de Silvana

A família diz ainda não saber como irá proceder daqui para frente.

"Se eles estão mentindo sobre [o envio da] resposta, como vou confiar que está tudo certo com a quantidade que vazou? Inclusive, não sei nem o que fazer. O que eu posso fazer agora? Vou reclamar onde, com quem?", questiona Bruna.

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