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Vecina: Volta às aulas tem risco de contágio elevado, mas é necessária

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/01/2022 09h23

Um dos fundadores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e colunista do UOL, o médico sanitarista Gonzalo Vecina alerta para a possibilidade de aumento de casos da covid-19 com o retorno presencial das aulas no Brasil. Ao menos 18 estados e o Distrito Federal começam hoje o ano letivo de 2022 com aulas presenciais obrigatórias.

"É muito difícil dizer que não tem risco — tem e é elevado. Estamos num período de disseminação muito aguda [do coronavírus] e com certeza a ida às escolas irá acrescentar um condimento violento nessa história", afirmou Vecina, durante participação no UOL News, apresentado pela jornalista Fabíola Cidral.

O avanço da vacinação dos adultos e o início da imunização das crianças contra a covid-19 colaboraram para que mais governos liberassem a abertura das escolas da rede estadual.

Levantamento feito pelo UOL com todos os estados mostra que apenas a Paraíba adotará ensino híbrido —com aulas remotas e presenciais. No Acre, o retorno presencial dependerá de autorização da autoridade sanitária.

Vecina explicou que o encontro diário de milhões de crianças provocará uma intensa troca de material biológico, que será levado para casa com potencial de infecção e disseminação da covid-19 também entre os adultos. "Vamos ter crescimento no número de casos e não existe nenhuma surpresa nisso", apontou.

No entanto, o médico defendeu o retorno às aulas. Segundo ele, o Brasil foi um dos países que atuou de forma mais inadequada com o ensino infantil durante a pandemia, trazendo consequências muito graves para a educação das crianças.

"Temos que retomar as aulas e ver o que vai dar nos primeiros dias. Dependendo do que for, talvez tenhamos que retroceder", avaliou Vecina. "No estado de São Paulo, as aulas iniciarão em 2 de fevereiro. Vamos ter mais tempo para olhar como está sendo essa dinâmica da pandemia [nas escolas]."

"Sou favorável ao retorno das aulas, mas isso trará um aumento muito grande do número de casos e, dependendo do que virmos, talvez tenhamos que retroceder", concluiu.

(Com informações de Ana Paula Bimbati, do UOL, em São Paulo)

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