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Diretora da Anvisa diz que governo pressionou pela importação da Covaxin

25.abr.2022 - A diretora da Anvisa Cristiane Jourdan - Eduardo Militão/UOL/20.abr.2022
25.abr.2022 - A diretora da Anvisa Cristiane Jourdan Imagem: Eduardo Militão/UOL/20.abr.2022

Do UOL, em São Paulo

12/05/2022 22h32Atualizada em 13/05/2022 19h07

Cristiane Jourdan, uma das diretoras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirmou que o governo pressionou a agência regulatória para aprovar a importação excepcional da vacina indiana Covaxin contra a covid-19. No ano passado, a diretora foi a única a votar na agência contra a importação da Covaxin e da vacina russa Sputnik. As declarações foram concedidas ao jornal O Estado de S.Paulo.

O valor do negócio para a importação da Covaxin, estimado em R$ 1,6 bilhão, chegou a ser empenhado (reservado para esse fim) pelo governo federal. O acordo, porém, acabou suspenso depois que os irmãos Miranda trouxeram à tona suspeitas de corrupção dentro do ministério da Saúde e a possível pressão interna para que o processo de importação fosse acelerado à revelia de inconsistências contratuais. Os irmãos fizeram as revelações durante a CPI da Covid, ocorrida no Senado em 2021.

Jourdan também declarou que sofreu pressão após votar contra a importação dos imunizantes ao Brasil e disse ter "certeza" que houve influência política no caso Covaxin, bem como no pedido da compra da vacina Sputnik, também usada contra o novo coronavírus.

Talvez tenha sido a primeira manifestação que eu tenha criado um descontentamento, internamente, na Anvisa. Eu não aprovei (a importação excepcional), mas a Covaxin e a Sputnik foram aprovadas com mais de 20 condicionantes. Teve influência política? Com certeza. A Covaxin, por parte do governo e a Sputnik, por parte do consórcio Nordeste. Cristiane Jourdan, diretora da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

A diretora acrescentou afirmando que foi vista como uma "alienígena" em razão de fazer o único parecer contrário às importações excepcionais. "Embora eu tenha sido vencida, por quatro votos a um, foi muito forte meu voto. Fui retaliada logo em seguida. Pressão inclusive em cima de mim. Eu sou quase como uma alienígena".

Ela ainda apontou a influência que indústrias e o Congresso Nacional têm sobre a agência regulatória.

"É surreal o que acontece na Anvisa. Essas decisões são feitas de uma maneira, as argumentações, às vezes elas são feitas só por constar. A gente vê que as decisões, quando elas não podem ser mitigadas, elas são retiradas de pauta, retira um ano e não volta, nunca mais aparece. Fico assustada, como as coisas acontecem lá dentro. Existe uma influência enorme das indústrias, uma influência enorme do Congresso. E vocês entendem o que eu estou falando", concluiu.

Ao UOL, a Anvisa declarou nesta sexta-feira (13) que não irá comentar as declarações da diretora. O UOL também tenta contato com e com o Ministério da Saúde, mas não teve retorno até a última atualização desta matéria. Em caso de resposta, o texto será atualizado.

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