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Enfermeira espanhola que sobreviveu ao ebola oferece sangue para tratar pacientes

05/11/2014 18h39

A enfermeira espanhola que contraiu ebola em Madri, um caso que despertou alarme e recriminações políticas, disse nesta quarta-feira (5) que espera que sua infecção seja útil e se ofereceu para doar sangue para tratar vítimas em potencial quando deixou o hospital.

Teresa Romero, de 44 anos, superou o vírus mortal depois de se tornar a primeira pessoa de que se tem notícia a ser infectada fora da África Ocidental no atual surto, que já matou quase 5.000 pessoas.

O contágio, ocorrido depois que Teresa cuidou de dois padres infectados repatriados da África e que mais tarde morreram na capital espanhola, causou repúdio ao governo do país, e agentes de saúde afirmaram ter recebido treinamento e equipamento inadequados para lidar com o ebola.

"Não sei o que deu errado, nem sei se algo deu errado", declarou Teresa, emocionada, em uma coletiva de imprensa, referindo-se à fonte da infecção, que ainda está sendo investigada.

Saiba mais sobre ebola

  • O que é o ebola?

    A doença é causada pelo vírus ebola e, no surto atual, já matou quase a metade dos pacientes diagnosticados com a doença. Tem sintomas como febre, vômito, diarreia e hemorragia.

  • Como se contrai o vírus?

    O ebola é transmitido pelo contato direto com sangue e fluídos corporais (suor, urina, fezes e sêmen) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola. Na Nigéria houve casos da doença, mas o vírus deixou de ser ameaça no país. EUA e alguns países europeus resgataram compatriotas infectados para tratamento.

  • Quem tem mais risco de contrair a doença?

    Parentes dos pacientes e os profissionais de saúde que tratam os pacientes com ebola são os indivíduos em maior situação de risco. Mas, qualquer pessoa que se aproxime de infectados ou de seus corpos sem vida se coloca em risco.

  • O ebola tem cura?

    Não há remédio que cure o ebola propriamente. Existem apenas medicamentos e vacinas experimentais sendo testadas no Canadá, nos Estados Unidos e na África, que surtiram o efeito desejado, isto é, zeraram a carga viral dos infectados. Quem sobreviveu ao tratamento continuará sendo monitorado por um tempo.

"Só sei que não estou sendo crítica nem ressentida, mas se minha infecção puder ter alguma utilidade para que a doença seja estudada melhor ou para ajudar a encontrar uma vacina ou curar outras pessoas, aqui estou", afirmou Teresa, acompanhada por funcionários do hospital Carlos 3º, onde foi tratada, e por seu marido.

Teresa recebeu anticorpos de uma freira missionária que contraiu ebola na Libéria e que também sobreviveu, assim como uma droga experimental chamada favipiravir, informaram os médicos, acrescentando não estar claro exatamente que parte do tratamento foi determinante para sua recuperação.

O favipiravir, ou Avigan, é produzido pela farmacêutica japonesa Toyama Chemical, subsidiária da Fujifilm.

Todas as pessoas que tiveram contato próximo com Teresa antes de ela ser diagnosticada, e que estavam sendo monitoradas no hospital em busca de sinais da doença, agora foram declaradas livres do ebola, incluindo seu companheiro.

O cachorro do casal, Excalibur, foi sacrificado no mês passado por autoridades de Madri por medo de que ele representasse um risco de infecção e causasse revolta na população.

O hospital Carlos 3º declarou que a equipe médica que tratou Teresa e os responsáveis pela limpeza dos quartos serão monitorados à distância para ver se exibem sintomas da febre hemorrágica medindo sua temperatura regularmente até o final do mês.

A equipe de enfermagem que cuidou de Teresa afirmou nesta quarta-feira que se sentiu estigmatizada pela doença e que sofreu rejeição de amigos e vizinhos, e autoridades hospitalares tentaram tranquilizar o público dizendo não haver mais nenhum risco de Teresa transmitir o vírus.

  (Por Rodrigo de Miguel)