Pulseiras fitness poderiam nos ajudar a viver mais tempo se usássemos

Gretchen Reynolds

do The New York Times

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    SmartBand Talk, pulseira fitness da Sony

    SmartBand Talk, pulseira fitness da Sony

As pulseiras que monitoram a atividade física poderiam melhorar nossa saúde e estender nossas vidas-- se ao menos conseguíssemos nos motivar a usá-los. Essas foram as conclusões de dois novos estudos sobre a promessa e os riscos de se contar com as pulseiras para medir e guiar como nos movimentamos.

As pulseiras, que este ano deverão novamente ser escolhas populares de presentes de Natal, em geral conseguem acompanhar nossos passos, velocidade, postura (sentados ou não), distância, gasto de energia e frequência cardíaca.

A precisão absoluta desses números, no entanto, é um tanto suspeita, visto que estudos passados apontaram erros em muitas das medições das pulseiras. Mas as imprecisões em geral são consistentes, de acordo com os estudos, de forma que as pulseiras podem indicar de forma confiável como nossos movimentos mudam de um dia para outro.

O problema maior com pulseiras fitness tem sido o fato de que não sabemos se a informação que eles geram tem mesmo uma relação direta com nossa saúde. Não tivemos provas de que o que a maioria das pulseiras nos indica como saudável de fato é.

Considere, por exemplo, a recomendação de que deveríamos nos exercitar moderadamente --andando de forma acelerada, por exemplo-- durante 150 minutos por semana. A maior parte das pulseiras incorporam essas diretrizes em seus cálculos sobre o quanto de exercícios as pessoas deveriam realizar.

Mas essas recomendações se baseavam em estudos nos quais as pessoas contavam aos cientistas o quanto elas se lembravam de se movimentar, sem usar pulseiras.

Então para um dos novos estudos, publicado no mês passado no "American Journal of Epidemiology", os voluntários usaram. Como parte de um estudo em andamento e financiado pelo governo sobre a saúde dos americanos, quase 4 mil homens e mulheres de meia idade usaram pulseiras fitness durante uma semana.

Os pesquisadores compararam os resultados das pulseiras com os relatos espontâneos das pessoas, para ter e confirmar uma medição objetiva de quanta atividade elas estavam realizando. (Os padrões de movimento delas eram muito parecidos, usando pulseiras ou não).

Depois os pesquisadores acompanharam os participantes durante até 10 anos, conferindo seus nomes com os do Registro Nacional de Óbitos, para determinar se cumprir a diretriz dos 150 minutos de exercícios por semana objetivamente afetava o quanto as pessoas viviam.

E de fato afetava. Esses homens e mulheres que, de acordo com suas pulseiras fitness, haviam se exercitado moderadamente durante pelo menos 150 minutos por semana, tinham cerca de 35% a menos de probabilidade de morrer prematuramente do que homens e mulheres que, de acordo com suas pulseiras, fossem menos ativos, descobriram os pesquisadores.

Esses resultados, embora não surpreendentes, de fato fornecem os primeiros argumentos cientificamente convincentes para se adquirir uma pulseira de atividades físicas, diz o Dr. Timothy Church, um professor de medicina preventiva no Centro de Pesquisas Biomédicas de Pennington, em Baton Rouge, Louisiana, que escreveu um comentário para acompanhar o novo estudo.

Ele afirma que quando sua pulseira faz você andar por 30 minutos na maior parte dos dias, ele agora tem uma prova objetiva de que fazer isso pode estender sua vida.

Um revelador estudo publicado no mês passado na "The Lancet Diabetes and Endocrinology" indica que as pessoas podem ser peculiares a respeito de suas interações com suas pulseiras.

Nesse estudo, cientistas de Cingapura recrutaram 800 funcionários de escritórios e deram à maior parte deles uma pulseira fitness, embora alguns deles tenham ficado sem para servirem de controle.

Os outros tiveram de usar as pulseiras para atingir metas de exercício básicas, com um grupo recebendo dinheiro caso atingissem essas metas, e outro ganhando dinheiro para sua entidade de caridade favorita. O último grupo deveria atingir as metas simplesmente porque era bom para a saúde deles.

Depois de seis meses, as pessoas que recebiam dinheiro para fazer exercícios eram as que mais estavam se exercitando. Houve ligeiros aumentos de atividade entre as pessoas que usavam pulseiras fitness.

Então acabaram os incentivos monetários, embora fosse pedido aos participantes que eles continuassem usando suas pulseiras e atingissem suas metas de exercícios de qualquer forma.

Seis meses depois, os pesquisadores voltaram a fazer a avaliação. Nesse momento, as pessoas que no começo recebiam dinheiro para se exercitar eram as que menos estavam se exercitando, de acordo com os dados da pulseira.

A atividade também foi reduzida entre o grupo da caridade. Mas, inesperadamente, aqueles que estavam no grupo que receberam pulseiras mas não dinheiro estavam se exercitando mais agora do que na última avaliação.

Contudo, os dados para todos eram limitados, porque a maior parte dos participantes havia deixado de usar suas pulseiras na maior parte do tempo.

A conclusão desses dois estudos parece ser que as pulseiras de atividade física têm o potencial e, cada vez mais, o suporte científico necessário para influenciar o quanto e o quão bem nós vivemos. Mas eles não podem atingir esse potencial até que consigamos entender se eles de fato nos motivam a nos mexer e como.

"Obviamente precisamos de muito mais pesquisa", diz Church. Mas um experimento não científico atual poderia se revelar um guia útil.

"Veja o Pokémon Go", ele diz, referindo-se ao aplicativo de celular pelo qual os usuários localizam e capturam personagens aparentemente situados no mundo real. O jogo recompensa os jogadores que andam ou correm variadas distâncias. "Esse poderia ser o futuro das pulseiras de atividade física", diz Church. Um monitoramento de saúde baseado em ciência que também seja divertido.

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Tradutor: UOL

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