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Líderes do mundo inteiro esperados para o funeral de Mandela

06/12/2013 10h56

JOANESBURGO, 06 dez 2013 (AFP) - A África do Sul espera receber os chefes de Estado do mundo inteiro para o funeral de Nelson Mandela, que recebeu homenagens unânimes, tanto da China quanto do Dalai Lama, de Teerã e Washington.

Os preparativos para o funeral de Estado do herói da África do Sul começaram nesta sexta-feira, e poderão durar até 12 dias.

Uma cerimônia oficial deve ser realiza em Pretória, a capital, antes do corpo do herói da luta anti-apartheid ser velado pelos parentes em um ambiente mais familiar em Qunu, o vilarejo de sua infância, na província do Cabo Oriental, e sepultado ao lado de seus pais e três de seus filhos.

Segundo o programa que circulou antes da notícia da morte do herói nacional, o sepultamento deve ser realizado cerca de doze dias após a seu falecimento, isto é, provavelmente em torno de 14 de dezembro.

A data de segunda-feira 16 de dezembro também tem sido mencionada por ser o "Dia da Reconciliação", um feriado na África do Sul, o que seria particularmente conveniente ao Pai da Nação sul-africana, unanimemente elogiado por dar voz a negros e brancos após séculos de segregação racial.

Em 16 de dezembro também está programado para ser erguida uma estátua do ex-líder em frente ao Union Buildings, a sede da presidência, em Pretória.

Até o sepultamento, serão realizadas cerimônias oficiais e tradicionais, e as bandeiras permanecerão a meio mastro em todo o país.

O presidente sul-africano Jacob Zuma, em sua qualidade de chefe do Congresso Nacional Africano (ANC), deve fazer um discurso na tarde desta sexta-feira, anunciou o partido no poder, do qual Mandela foi o mais ilustre dos militantes.

O corpo de Nelson Mandela deverá ser exposto em Pretória - na Union Buildings ou talvez na prefeitura - para que autoridades e pessoas anônimas possam prestar uma última homenagem a Mandela.

E uma cerimônia popular será organizada em Soccer City, o estádio de Soweto onde aconteceu a final da Copa do Mundo de futebol de 2010 -- última aparição pública de Mandela, já muito enfraquecido.

Homens políticos, artistas e líderes espirituais vindos do mundo inteiro são esperados. Chefes de Estado, mas também personalidades com a apresentadora americana Oprah Winfrey, a ex-primeira-dama e secretária de Estado americano Hillary Clinton, o ex-capitão da Seleção sul-africana de rúgbi -- campeão da Copa do Mundo de 1995-- Francois Pienaar, etc.

Desde o anúncio da morte de Nelson Mandela, pouco antes da meia-noite, chegam mensagens de líderes do mundo inteiro, e na África do Sul de personalidades e de organizações, passando do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e sindicatos, e de até partidários do regime do apartheid que combateram Mandela.

Libertado em 1990 após ter passado vinte e sete anos atrás das grades do apartheid, Nelson Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul quatro anos depois, e se impôs como um grande reconciliador, conquistando a admiração de ex-inimigos que ele soube escutar.

Mandela entra para a história por ter negociado com o governo do apartheid uma transição pacífica para uma democracia multirracial e por ter evitado uma guerra civil que, no início dos anos 1990, parecia praticamente inevitável.

Nelson Mandela, que completou 95 anos em 18 de julho, havia sido hospitalizado em quatro ocasiões desde dezembro de 2012, sempre por infecções pulmonares.

Os problemas estavam relacionados com as sequelas de uma tuberculose contraída durante o longo período em que passou na ilha-prisão de Robben Island, na costa de Cabo, onde passou 18 anos dos 27 de detenção nas prisões do regime racista do apartheid.

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