Washington e Moscou pressionam para salvar trégua na Síria

Beirute, 24 Mai 2016 (AFP) - Americanos e russos buscavam nesta terça-feira salvar a frágil trégua entre o regime e os rebeldes na Síria, um dia após uma série de atentados do grupo Estado Islâmico, que deixaram mais de 150 mortos em redutos do presidente Bashar al-Assad.

O cessar-fogo estabelecido em 27 de fevereiro por Estados Unidos e Rússia - aliados da oposição e do regime, respectivamente - foi violado em várias ocasiões, especialmente em Aleppo (norte) e Guta Oriental, a leste de Damasco, onde as forças armadas realizam uma ofensiva há dez dias.

Washington pediu para que Moscou pressionasse seu aliado a cessar seus bombardeios, a fim de dar uma chance às negociações de paz que buscam uma solução para um conflito que já deixou mais de 270.000 mortos em cinco anos.

Já os americanos pressionam os grupos rebeldes para que evitem desrespeitar a trégua, depois da ameaça de agir em todo o país se o regime não parar seus bombardeios contra as cidades de Daraya e Guta. Seu ultimato de 48 horas, lançado no domingo, deveria expirar nesta terça-feira.

Enquanto isso, a Rússia pediu um cessar-fogo de 72 horas, começando na quinta-feira, em Daraya e Guta.

Daraya, que fica 10 km ao sudoeste de Damasco, é uma das cidades sob cerco. O regime tenta em vão recuperar seu controle desde o final de 2012 das mãos dos rebeldes.

Estados Unidos e Rússia lideram o processo diplomático de Viena, do Grupo Internacional de Apoio à Síria (GISS), que se reuniu na semana passada na capital austríaca sem alcançar qualquer progresso significativo.

A Rússia propôs aos Estados Unidos atacar conjuntamente os grupos jihadistas na Síria, uma iniciativa que Washington rejeitou.

Os grupos jihadistas, como Estado Islâmico (EI) e o ramo síria da Al-Qaeda (Frente Al-Nosra), estão excluídos da trégua.

Mais de 150 mortosO EI realizou na segunda-feira uma série de ataques com carros-bomba e suicidas nas cidades litorâneas sírias de Tartus e Jable, cuja população é majoritariamente alauita, comunidade à qual pertence Assad.

Esta série de ataques sem precedentes na região deixou pelo menos 154 mortos, segundo um novo balanço estabelecido nesta terça-feira pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Um número que pode aumentar dada a situação crítica de mais de 300 feridos, segundo Rami Abdel Rahmane, diretor do OSDH, que informou que as vítimas são na sua maioria civis.'

O EI reivindicou o ataque, dizendo ser uma resposta aos bombardeios do regime e de seu aliado russo na Síria e ameaçando uma retaliação ainda pior.

O regime sírio, por sua vez, responsabilizou a Arábia Saudita, Turquia e Catar, seus adversários regionais desde o início da rebelião em 2011.

"Esses ataques terroristas representam uma perigosa escalada pelos regimes de ódio e extremismo de Riad, Ancara e Doha, com o objetivo (...) de frustrar (...) o acordo de cessar-fogo" na Síria, acusou o regime em cartas enviadas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Toda a comunidade internacional expressou indignação com os ataques. Os Estados Unidos condenaram "ataques horríveis" e Paris chamou de atos "odiosos".

O EI enfrenta uma pressão crescente na Síria e no Iraque, onde perdeu terreno nos últimos meses.

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