Poder eleitoral venezuelano valida 1,3 milhão de assinaturas para referendo

Em Caracas

  • Ivan Alvarado/ Reuters

A oposição venezuelana anunciou nesta terça-feira (8) que o poder eleitoral declarou válidas 1,3 milhão de assinaturas, seis vezes mais que o necessário para solicitar a ativação do referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, razão pela qual poderá continuar com o processo.

Maduro reiterou que considerava "invalidado" o pedido de referendo revogatório e descartou integrar qualquer "mesa de diálogo".

"Temos as assinaturas, temos seis vezes mais assinaturas que o necessário para ativar o processo revogatório, para passar a fronteira do 1% (umas 200.000)" nesta etapa, afirmou à imprensa o porta-voz da oposição, após uma reunião na sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Torrealba informou que o CNE anunciará na quarta-feira o procedimento de ratificação destas assinaturas, que deverá ser feito em cinco dias com base em impressões digitais.

Após a confirmação das firmas, a oposição deverá recolher quatro milhões de assinaturas (20% do padrão) para que o referendo seja convocado.

A oposição entregou ao CNE mais de 1,85 milhão de assinaturas, em 2 de maio passado, mas o órgão eleitoral foi acusado de retardar o processo de verificação, a pedido do governo, cujo objetivo é adiar o referendo para 2017.

"A partir deste processo de verificação mal feito, mal instrumentado e com a ajuda de um software absolutamente irregular, conseguiram nos tirar 600 mil firmas, mas nos restam mais de 1,3 milhão, com as quais é perfeitamente possível passar à segunda fase do processo".

Torrealba afirmou que o CNE utiliza um "procedimento de verificação viciado, absurdo, que tem erros" que levam a exclusão de milhares de assinaturas.

"Isto faz parte da resistência que está montando a cúpula corrupta e ineficiente do governo para tentar deter, retardar o processo de referendo revogatório", afirmou o secretário-executivo da MUD.

A oposição luta para que o referendo ocorra antes de janeiro de 2017, quando Maduro conclui seu quarto ano de mandato. Caso o mandato presidencial seja revogado neste período, haverá novas eleições.

Se o referendo acontecer após janeiro de 2017 e Maduro cair, assumirá o vice-presidente, Aristóbulo Istúriz, da chapa chavista.

Os dirigentes da MUD foram recebidos no CNE por Luis Emilio Rondón, ligado à oposição, e pela presidente do órgão, Tibisay Lucena.

Mais cedo nesta terça, liderados pelo ex-candidato presidencial Henrique Capriles e por outros líderes opositores, manifestantes saíram do setor de Bello Monte, no leste de Caracas, rumo à sede do CNE. A marcha foi bloqueada e dispersa com gás lacrimogêneo por policiais e militares.

"Não há nenhuma desculpa. Não há nenhuma dúvida, o referendo revogatório será realizado este ano, por isso estamos na rua pedindo ao CNE uma data para validar as assinaturas", disse o vice-presidente do Parlamento de maioria opositora, Enrique Márquez, durante a marcha.

"Este ano não haverá referendo", declarou na segunda-feira Aristóbulo Istúriz, antes de afirmar que o revogatório não é o objetivo da oposição, e sim "a violência", em uma referência aos protestos convocados pela MUD.

A oposição sustenta que o referendo é a "única válvula de escape" dos venezuelanos, esgotados pelo agravamento da escassez de alimentos e remédios, e pelo alto custo de vida. O país petrolífero, atingido pela queda dos preços do petróleo, tem a inflação mais alta do mundo, de 180,9% em 2015.

"Estamos aqui na rua para que Maduro saia, para que ocorra um revogatório. Queremos uma mudança no país. Estamos passando fome", declarou Richard Salas, um trabalhador administrativo que levava um cartaz com produtos que estão em falta no país.

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