Reino Unido registra episódios de xenofobia pós-Brexit

Em Londres

  • Neil Hall/Reuters

    Loja de produtos poloneses em Hammersmith, em Londres (Inglaterra)

    Loja de produtos poloneses em Hammersmith, em Londres (Inglaterra)

O Reino Unido registrou, desde o anúncio da vitória do Brexit, no referendo da quinta-feira da semana passada sobre a permanência ou não na União Europeia (UE), alguns episódios racistas, em parte por conta da ideia de que há muitos estrangeiros no país.

O primeiro-ministro britânico David Cameron condenou nesta segunda-feira (27) os atos.

"Nos últimos dias vimos uma pixação desprezível em um centro comunitário polonês e insultos verbais contra membros de minorias étnicas", declarou Cameron no Parlamento, em sua primeira aparição pública após o Brexit.

"Recordamos que esta gente veio aqui e deram uma contribuição maravilhosa para o nosso país. Não toleraremos crimes racistas nem esse tipo de ataque, temos que acabar com isso", assegurou.

A embaixada da Polônia mostrou preocupação com dois episódios de racismo contra seus cidadãos, ao mesmo tempo que o prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu à polícia que permaneça atenta.

O departamento da polícia que se ocupa dos crimes racistas e de ódio nas redes sociais, recebeu 57% a mais de denúncias entre quinta-feira e domingo, segundo informou o Conselho Nacional de chefes de polícia.

"Estamos chocados e profundamente preocupados com os recentes episódios de insultos xenofóbicos contra a comunidade polonesa e outros residentes no Reino Unido de origem imigrante", afirma a embaixada em um comunicado.

"A embaixada polonesa está em contato com as instituições relevantes e a polícia local já investiga os dois casos mais comentados, em Hammersmith, Londres, e em Huntingdon, em Cambridgeshire", completa a nota oficial.

A porta do Centro Cultural Polonês de Londres, fundado em 1964 no bairro de Hammersmith, foi alvo de pichações ofensivas.

Parte dos eleitores pró-Brexit afirmam que há muitos imigrantes no país. A comunidade polonesa no Reino Unido é a mais numerosa dos países da UE, com 654.000 membros, de acordo com o censo de 2011.

"Esta manhã nos surpreendeu e entristeceu muito encontrar um grafite realmente desagradável na fachada de nosso edifício", afirmou no domingo a presidente do centro cultural, Joanna Mludzinska.

Ao mesmo tempo, ela se declarou "muito comovida e agradecida" com as demonstrações de apoio, incluindo a do deputado da circunscrição do centro cultural, o conservador Greg Hands.

Hands escreveu nas redes sociais que os poloneses "são muito bem-vindos no Reino Unido" e recordou o papel dos pilotos poloneses na batalha aérea da Inglaterra, na Segunda Guerra Mundial.

O outro incidente investigado pela polícia, segundo a embaixada, diz respeito aos folhetos espalhados por Huntingdon, sul da Inglaterra, uma área com muitos imigrantes poloneses, com pedidos para que retornem a seu país após o referendo e que chamam os migrantes de "praga".

- Polícia em alerta -"Levo muito a sério minha responsabilidade de defender a fantástica mescla de diversidade e tolerância de Londres", afirmou o prefeito Sadiq Khan.

"É realmente importante que permaneçamos em alerta diante de qualquer aumento dos crimes de ódio e insultos", completou.

"Pedi a polícia que reforce a vigilância", disse o prefeito, ao mesmo tempo que fez um apelo para "não demonizar os 1,5 milhão de londrinos que votaram a favor do Brexit".

"Apesar de eu e milhões de pessoas discordamos de sua decisão, decidiram assim por uma variedade de motivos e isto não deve ser usado para acusá-los de xenófobos ou racistas", concluiu Khan.

As redes sociais registraram nos últimos dias uma agressiva troca de insultos entre partidários e detratores do Brexit.

Sayeeda Warsi, que foi líder conservadora, denunciou que recebeu diversas informações de incidentes.

"Passei grande parte do fim de semana conversando com organizações, ativistas e indivíduos que trabalham com a questão de crimes de ódio", disse ao canal Sky News.

"Eles citaram alguns casos realmente perturbadores de pessoas que são paradas nas ruas e escutam, 'olhe, nós votamos sair, está na hora de você ir embora'".

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