Clinton e Kaine apostam em sua experiência para vencer Trump em encontro em Miami

Miami, 23 Jul 2016 (AFP) - A candidata democrata Hillary Clinton apresentou neste sábado em Miami seu candidato à vice-presidência, o senador Tim Kaine.

O senador pela Virgínia "está qualificado para ocupar este posto e liderar desde o primeiro dia. É um progressista, que gosta de concretizar as coisas. É meu tipo", disse Clinton ao inaugurar o encontro no estádio da Universidade Internacional da Flórida.

Uma multidão segurava cartazes azuis com a legenda "Clinton-Kaine". Atrás do palco onde os candidatos farão o discurso, um letreiro mostrava "Stronger Together" ("Mais fortes juntos").

Melanie Neitas, uma enfermeira de 60 anos, gritou de entusiasmo quando a candidata democrata prometeu construir "pontes, não muros", referindo-se à insistência de seu rival republicano Donald Trump de construir uma barreira à entrada mexicanos.

"Ela é quem vai nos ajudar a ser o país que queremos. Os Estados Unidos são um país humanitário, de integração", disse Neitas, tentando não chorar.

Ao subir no palanque, Kaine disse: "Sei que para muitos de vocês está é a primeira vez que me escutam falar. E sejamos honestos, para muitos de vocês é a primeira vez que escutam meu nome".

"Sou uma das 20 pessoas da história (dos Estados Unidos) que trabalhou como prefeito, governador e senador", prosseguiu.

Tim Kaine, de 58 anos, foi prefeito de Richmond (1998-2001), vice-governador e governador da Virgínia (2006-2010), presidente do Partido Democrata (2009-2011) e senador desde 2013.

"Dessa modo, pude presenciar a forma como o governo funciona, e a forma como não funciona", disse Kaine, intercalando algumas palavras em espanhol.

Ele realmente não é muito conhecido pelo público em geral.

"Não sei muito sobre ele, mas acho que é um democrata sólido", disse Elliot Williams, bibliotecário de 30 anos, enquanto esperava na fila para entrar.

O entusiasmo dos seguidores está à flor da pele a dois dias do início da convenção democrata que começa na segunda-feira na Filadélfia, Pensilvânia, e onde Clinton e Kaine serão investidos oficialmente como os candidatos do partido.

Com espanhol fluente por ter passado a juventude em Honduras, Miami pareceu o lugar apropriado para apresentar ao público sua candidatura à vice-presidência.

- Emails prejudiciais -Nesta semana, o número dois do rival republicano Donald Trump, o governador de Indiana, Mike Pence, aceitou sua indicação em uma tumultuada convenção republicana em Cleveland.

Hillary Clinton, que abandonou o microfone no encontro depois de um curto discurso para dar espaço a seu vice, disse que "o senador Tim Kaine é tudo o que Donald Trump e Mike Pence não são".

As pesquisas sugerem que o magnata nova-iorquino está muito perto de Clinton, que ainda luta para superar o escândalo pelo uso de seu servidor pessoal para emails quando era secretária de Estado.

O Partido Democrata sofreu um revés na sexta-feira: o Wikileaks vazou mais de 19.000 emails, alguns de seus altos dirigentes.

Algumas dessas mensagens sugeriam esforços para atrapalhar a eficiente campanha de Bernie Sanders, o outro aspirante democrata, que já deixou a corrida presidencial.

No dia 5 de maio, por exemplo, o diretor financeiro do partido, Brad Marshall, pediu em um email a colaboradores que designassem "alguém (em Kentucky e na Virgínia ocidental) para que questionem suas convicções", referindo-se a Bernie Sanders, que não foi explicitamente citado.

"Se acredita em Deus. Se limitou a dizer que tinha uma herança judia. Acho que li que ele é ateu. Isso poderá fazer vários pontos de diferença. Para os meus (da igreja) batista, faz muita diferença entre judeu e ateu", escreveu Marshall, dando a entender que se demostrasse ser ateu, o senador por Vermont poderia ter sua campanha prejudicada.

Trump tentou capitalizar este revés publicitário, na tentativa de atrair para si os eleitores de Sanders.

"Os emails vazados do comitê do Partido Democrata mostra os planos de destruir Bernie Sanders. Riem de sua herança e muito mais", tuitou Trump neste sábado.

O chefe da campanha de Sanders, Jeff Weaver, pediu explicações sobre a crescente controvérsia neste sábado, em uma entrevista ao canal ABC News.

"Alguém tem que prestar contas", disse Weaver. Para ele, os emails demonstram uma prática equivocada.

"Temos um processo eleitoral. O Partido Democrata, de acordo com seus estatutos, deve ser neutro com os candidatos. Claramente não foi", acrescentou Weaver na entrevista.

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