Lula indiciado por corrupção em segundo dia de julgamento de Dilma

Brasília, 27 Ago 2016 (AFP) - Uma nova acusação caiu, nesta sexta-feira, sobre o ex-presidente Lula, enquanto o Senado decide o futuro político do Brasil com a provável saída de Dilma Rousseff, e da esquerda, do poder.

A Polícia Federal indiciou Lula por ter se beneficiado dos subornos de algumas das empresas do escândalo de corrupção da Petrobras.

A acusação não poderia ocorrer em um momento pior: o Senado brasileiro está submerso no segundo dia de debates para decidir se depõe Dilma de seu cargo, acusada de maquiar as contas públicas.

Mas o escândalo de corrupção no Brasil parece ser o principal ponto no dramático julgamento.

"Que moral tem o Senado para submeter Dilma a julgamento?" - perguntou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), no início das sessões de quinta-feira.

A pergunta disparou gritos e ofensas, repetidos chamados de ordem e suspensão dos debates, no segundo dia de sessão, no qual a defesa apresenta seus argumentos a favor da presidente, de 68 anos.

Entre as testemunhas de defesa, compareceram o especialista em direito Geraldo Prado e o economista Luiz Gonzaga Belluzo, destacando que Dilma Rousseff não violou as normas fiscais e que todas as medidas que tomou eram uma estratégia para enfrentar a crise.

Se Dilma for destituída, terminará os mais de 13 anos de governo PT, golpeado pelas revelações de massivos escândalos de corrupção, incluindo a grande fraude da Petrobras.

ManicômioO Senado se tornou "um manicômio", queixou-se Renan Calheiros, do PMDB-AL. "A estupidez é infinita", acrescentou.

Os debates no Senado não são mais que um reflexo da profunda polarização no Brasil. Tudo em um contexto amargo: a maior economia da América Latina atravessa a pior recessão em décadas, com uma inflação de quase 10%, desemprego que afeta 12 milhões de pessoas e um déficit de 170 bilhões de reais.

Dos 81 senadores que decidem o futuro político da ex-guerrilheira, mais da metade tem causas pendentes ou é investigado por corrupção, incluindo Calheiros e Hoffmann.

Polícia indicia LulaE mais uma vez Lula está na mira. A polícia indiciou o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro, no auge de uma investigação relacionada à fraude da Petrobras, que custou à estatal petroleira bilhões de dólares.

O indiciamento, ao qual a AFP teve acesso, deverá ser analisado pela promotoria nos próximos 90 dias para decidir se apresenta denúncia à justiça.

Lula, de 70 anos, presidente entre 2003 e 2010, está submetido a três investigações na Operação Lava Jato, em que grandes empresas privadas subornaram executivos da Petrobras e políticos em troca de contratos.

A Polícia Federal recomenda que Lula seja acusado pela suposta aquisição de um apartamento e um sítio de forma irregular, com a colaboração da empresa OAS, envolvida no esquema de corrupção.

Lula já foi acusado por tentativa de obstrução da Lava Jato.

Segundo a polícia, Lula e sua esposa "foram beneficiários de vantagens ilícitas por parte da construtora OAS, em valores que alcançam 2,4 milhões de reais".

Lula sempre negou as acusações.

O apartamento teria sido comprado pela OAS e remodelado para Lula. As autoridades também estão investigando a mudança de Lula após deixar o cargo.

Final cantadoAs pesquisas e analistas concordam que a tendência é praticamente irreversível pela destituição da presidente, suspensa em maio.

Dilma, eleita em 2010, é acusada de manipular os dados para ocultar a verdadeira situação das contas públicas do governo, e emitir por decreto linhas de crédito sem o aval do Congresso.

A presidente insiste que é "inocente" e denuncia ser vítima de um "golpe de Estado" orquestrado por Michel Temer, seu ex-vice-presidente e agora inimigo. Será Temer que completará o mandato de Dilma até 2018 se ocorrer o impeachment.

Para isso, é necessária uma maioria especial de 54 votos (dois terços). Na segunda-feira, Dilma fará sua defesa acompanhada por Lula. Depois começarão as deliberações, seguida pela votação final.

No caso de ser sentenciada, Dilma, que militou em uma guerrilha marxista durante a ditadura (1964-1985), não poderá ocupar cargos públicos durante oito anos.

Isolada desde sua suspensão em uma espécie de desterro no Palácio da Alvorada, Dilma tem pedido para que "mantenham viva a esperança".

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