O que acontece se um candidato à Presidência dos EUA larga a disputa?

Em Washington

  • Brendan Smialowski/ AFP

    11.set.2016 - A candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, acena para a imprensa após deixar o apartamento de sua filha, em Nova York

    11.set.2016 - A candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, acena para a imprensa após deixar o apartamento de sua filha, em Nova York

O que acontece se um candidato à presidência dos Estados Unidos renunciar antes da eleição? Após o mal-estar sofrido no domingo por Hillary Clinton e a divulgação de que a candidata democrata está com pneumonia, esta pergunta surgiu no país.

A ex-secretária de Estado, de 68 anos, teve de cancelar os eventos previstos para segunda e esta terça-feira na Califórnia e se encontra em repouso.

Mas ela garante estar bem e que logo estará de volta à campanha.

"Obrigada a todos por seus bons desejos. Me sinto bem e melhorando", disse Hillary Clinton na segunda-feira em uma mensagem, para depois afirmar que está "ansiosa para retornar".

Caso um candidato seja impossibilitado de continuar na corrida, a Constituição americana não tem nada previsto. É preciso analisar, então, os regulamentos internos dos partidos para encontrar uma resposta.

No Partido Democrata, o artigo 2, seção 7 de seus estatutos prevê que "em caso de vacância na chapa presidencial, deve ser convocada uma reunião especial a pedido do presidente do partido". O cenário seria comparável entre os republicanos.

Nesta reunião do comitê nacional democrata, deve ser tomada uma decisão por maioria dos presentes.

Mas não existe nenhum marco preciso para orientar a decisão. Os especialistas apontam três nomes: o candidato à vice-presidência, Tim Kaine, o democrata que obteve mais votos nas primárias depois de Hillary, Bernie Sanders, e o atual vice-presidente, Joe Biden.

Território desconhecido

Segundo David Lublin, professor na American University de Washington, "podem eleger qualquer pessoa" que satisfaça aos critérios para se converter em presidente. "Estamos em território desconhecido", disse.

Mas, segundo ele, as opções mais lógicas seriam Tim Kaine, seguido de Bernie Sanders, e Joe Biden, muito popular no partido.

Jeanne Zaino, especialista do Iowa College no Estado de Nova York, coloca em primeiro lugar Bernie Sanders, embora ele seja controverso dentro do partido, e depois Tim Kaine.

"Os partidos mantiveram intencionalmente a imprecisão sobre o procedimento a ser seguido para não ficar de mãos atadas e correr o risco de ter um candidato que não lhes convenha", disse Zaino.

Mas primeiro seria necessário que Hillary Clinton renuncie a sua candidatura, e os especialistas não acreditam nesta possibilidade.

"É difícil imaginar que faça isso voluntariamente", considera Lublin, destacando que até o momento sua pneumonia é facilmente tratável. E, segundo ele, o processo de designação de um novo candidato é tão longo e cansativo que o partido certamente não buscará forçar as coisas.

"Esta foi uma temporada eleitoral tão louca que não me surpreende que qualquer coisa possa acontecer, mas não isso", afirma Jeanne Zaino. "A menos que sua saúde esteja muito pior do que sabemos".

É nisso que querem acreditar os inclinados pelas teorias da conspiração de todo tipo: após o mal-estar de Hillary Clinton no domingo durante a cerimônia em memória dos atentados de 11 de setembro em Nova York, divulgaram suas teorias sem prova alguma no Twitter, fazendo referência a doenças como demência, Alzheimer, Parkinson etc.

Na história recente dos Estados Unidos foi registrado apenas um caso de abandono durante uma campanha presidencial: o senador Thomas Eagleton (1929-2007), candidato à presidência por um breve período com George McGovern em 1972.

Ele jogou a toalha após a revelação de que sofria de depressão.

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